Com Que Roupa Eu Vou?
Um dos passatempos preferidos desta dupla, quando estamos em algum barzinho, balada ou qualquer coisa do gênero - repleta de gays, é claro - é ficar gongando o visual da galera. Ok, cada um veste do jeito que quer, se sente bem e todo aquele blá, blá, blá que você bom moço já está careca de saber, e com o qual nós concordamos. Mas isso não obriga a gente a gostar de tudo o que vê, né?
Em geral, nós homens somos pouco privilegiados em termos de variedades de roupas. Neste ponto, as rachas levam vantagem. (mas só nesse, nos outros a gente se dá melhor do que elas – como por exemplo, na questão da celulite.) Então a gente pensa: com poucas opções, é mais difícil de errar, né? Aí é que a gente se engana. Toda criatividade do mundo é pouca diante da imaginação de um cafona. E não é preciso ser muito criativo para usar terno com meias brancas.
Maridão e eu somos bem diferentes em termos visuais. Ele é bem mais básico, não gosta de arriscar muito e ODEIA ir comprar roupas. É mais fácil arrastá-lo a uma convenção do PT do que a um shopping center. Mas ele se veste direitinho, não erra, e como já é bonito por natureza, não precisa se esforçar para ficar gato. Eu já sou o extremo oposto: adoro um visual mais ousado (dentro do limite do ridículo, é claro. Não saio por aí vestido de Lady Gaga), e compro roupas como quem vai ao supermercado. Não que eu seja feio, viu? Mas no meu caso o esforço é válido. E não é só porque eu já conquistei o cara que eu vou relaxar e deixar de querer ficar sempre mais bonito para ele, né? O bom é que a gente praticamente usa o mesmo tamanho, calça o mesmo número, então dá para socializar o guarda-roupas sem problemas.
Maridão prefere cores mais básicas, eu já sou o mais “restart” do casal (para sair, pois para trabalhar eu sou tradicional e uso algo mais sóbrio ou a trinca camisa/calça/sapato social - sem meia branca, é claro!).
Mas nem sempre foi assim. No começo do nosso relacionamento, eu era bem “preto e branco” e praticamente não usava roupa verde. Um dia, estávamos vendo o excelente filme “Réquiem para um Sonho” (fica a dica) e eu percebi que o personagem principal, interpretado pelo Jared Leto, usava apenas tons de verde.
Comentei com o maridão, e ele foi direto: “é que, ao contrário de você, ele sabe ressaltar os olhos que tem”.
Fatality!!! Maridão wins!
Desde então, verde virou minha cor favorita, e sempre minha primeira opção ao adquirir uma peça nova.
Acho muito legal ver pessoas que possuem uma identidade visual, que se diferenciam da multidão e desenvolvem seu próprio estilo de se vestir. É meio estranho ver um monte de gente usando algo só porque está na moda, mesmo que não combine nada com a sua personalidade, ou que seja uma peça extremamente medonha como aquelas calças saruel.
Você tem uma? Pois aconselho que tire uma foto e guarde bem. Daqui a alguns anos tenho certeza de que você vai se perguntar se não tinha um único amigo de verdade para te impedir de sair à rua usando aquilo. É o mesmo fenômeno que hoje ocorre com quem usava calça bag com a cintura nas axilas, nos idos dos anos 80 - só que agora ainda piorada.
(parênteses: e aquele tal lenço palestino-árabe-muculmano-paquistanês-libanês-ou-qualquer-coisa-do-gênero, ultra cafona, que virou um surto? Eu, particularmente, acho um horror, quase um vestido da Geyse em versão unissex. )
A coisa se inverte quando a questão é cuidado com o corpo e a pele. Maridão se cuida muito mais, usa creme para isso e para aquilo, e eu sou quase um ogro. Mas isso é assunto para outro dia.
E você, leitor, se preocupa com o visual? É vaidoso? Possui um estilo próprio ou compra a primeira peça que vê na primeira loja?
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