O título do post é uma provocação, mas na verdade ele surgiu de uma pergunta que maridão me fez na noite de sábado. Após uns "bons drink" ele me perguntou quando que a homossexualidade surge na vida da pessoa.
A primeira coisa que vem à mente diante de uma indagação dessas é imaginar que ninguém vira gay, a homossexualidade já está lá desde o nascimento e que ela só passa a ser consciente num dado momento da vida. No entanto, a medicina ainda não foi capaz de afirmar categoricamente que se nasça com esta predisposição, nem a psicologia descartou de vez a influência do meio na formação do indivíduo. Tudo ainda é muito vago e abre espaço para teorias esdrúxulas ou meros palpites.
Nosso palpite é de que a gente tende a enxergar como uma unidade algo que não o é. Em outras palavras, a gente chama de "gay", para simplificar, pessoas que não necessariamente possuem a mesma realidade no que se refere à sexualidade. Neste sentido, a homossexualidade não precisaria se dar da mesma forma para todos.
Na vida deste casal, a "descoberta" se deu em momentos bem diferentes. Maridão afirma que já sabia na infância, eu só percebi que havia algo diferente na adolescência, mas poderia já estar lá desde sempre e todos ao meu redor saberem antes de eu "descobrir".
Como somos curiosos e pretendemos ficar nos palpites, decidimos perguntar a vocês: quando vocês tomaram conhecimento de que eram homossexuais? Gostaria de saber a resposta de vocês a respeito pois no próximo post vamos falar sobre a questão da "cura" da homossexualidade - e toda a polêmica que a questão envolve - e os depoimentos serão importantes para o texto, no qual a gente vai dar nosso depoimento pessoal.
O escritor americano Ambrose Bierce já dizia que o cristão é "aquele que segue à risca os ensinamentos de Cristo, desde que estes não sejam incompatíveis com a sua vida de pecado”. Acho que a frase tem muito de verdade, mas eu diria que ela se aplica mais ao católico do que ao evangélico - que em geral segue mais a risca os preceitos da religião escolhida.
Penso nisso toda vez que vejo a pseudoguerra pseudossanta entre gays e evangélicos tomando conta do que deveria ser um debate adulto. Militantes, gays "comuns", pastores e fiéis se digladiam em mostras de intolerância e preconceito mútuos. Uma guerra, como todas as outras, sem sentido.
Antes de mais nada, acho perfeitamente normal que qualquer pessoa possa se opor à homossexualidade, inclusive acho legítimo que essa oposição seja verbalizada. Emitir opinião sobre práticas humanas faz parte da vida em sociedade (segundo matéria do Estadão, Falar mal dos outros é o melhor jeito de fazer amigos.) Da mesma forma que acho legítimo que uma pessoa tenha opinião (e a expresse) sobre questões religiosas. Num mundo adulto, dá para viver bem aceitando o fato de que nem todo mundo é obrigado a gostar de você, do que você pensa ou do que você faz. Ou pelo menos deveria ser assim.
Acho coerente da parte de um evangélico se opor à homossexualidade - se ele segue realmente o que sua religião diz, de fato não pode concordar com práticas homossexuais. O que ele não pode é impedir que dois adultos, em consenso, vivam sua sexualidade dentro dos limites da vida privada, ou que expressem seu afeto publicamente nos mesmos termos socialmente aceitáveis aos heterossexuais.
Em outras palavras: nenhum evangélico pode me impedir de transar louca, intensa e maravilhosamente com o maridão, nem pode me impedir de pegar na mão dele, beijá-lo ou abraçá-lo na rua. Não gosta? Problema seu, viva com isso. E nem precisa de lei específica pra garantir este direito, as nossas dão conta do assunto perfeitamente. Por outro lado, acho que os evangélicos têm todo o direito de achar (e dizer) que nós dois vamos pro inferno por causa disso.
Não me choca ver um pastor dizendo na TV que a homossexualidade é coisa do capeta. Eles estão apenas mostrando aos seus seguidores que se mantém coerentes aos preceitos que pregam (ou estão sendo apenas oportunistas fazendo uso de um expediente que eles sabem que causa impacto - e, nesse caso, eles que acertem suas contas com Deus). Eu ficaria realmente chocado se eles assim não pensassem, pois estariam indo contra sua própria religião - e sou do pensamento de que só é possível ser religioso se for pra valer. É por isso que não sigo religião alguma. Não encontrei uma da qual eu fosse incapaz de discordar e não vou entrar em uma para querer mudá-la, de modo que se adapte a mim. Minha arrogância não chega a tanto (se chegasse, fundaria logo uma religião para me adorar...rs...). Religião é escolha, cada um que viva da melhor forma possível com as escolhas que faz na vida.
Embora a grande maioria dos evangélicos tenha uma posição bem clara contrária à homossexualidade, dizer que todos são homofóbicos é um exagero, é, vejam só: preconceito - mas estou cansado de ver os gays repetindo isso a todo instante, ou repassando mensagens preconceituosas pelas redes sociais (dia desses havia uma montagem com os "maiores homofóbicos do Brasil" sendo compartilhada orgiasticamente no Facebook. Fui ver e, surpresa, só havia pastores evangélicos! Poucas vezes vi tanto preconceito quanto nos comentários que acompanhavam a imagem.). Com certeza há evangélicos homofóbicos, mas pessoas assim existem em todos os setores da sociedade – e, felizmente, ao contrário do que muitos afirmam, são a exceção. As pessoas mais intolerantes que conheço são gays - e muitos dizem lutar contra a intolerância!
A coerência do discurso do evangélico explica porque os gays (eu diria que alguns gays) têm mais problema com eles do que com os católicos. Poucos são os católicos que levam os dogmas da igreja a sério e seguem a risca o que a religião prega. Eles estão mais de acordo com o que o Ambrose Bierce definiu lá em cima. Eu iria mais longe ainda e diria até que só existe um católico que segue à risca tudo o que a igreja diz: o Papa. Não à toa, é o católico mais "satanizado" pelo "movimento gay". Por força de ofício ele é obrigado a não relativizar os dogmas e preceitos do catolicismo.
Em tempo: entender a coerência destes discursos não significa concordar com eles. Eu entendo, embora discorde. E a vida segue.
Pensar algo como “a pessoa pode não gostar de gay, mas não pode falar isso” é tão maluco quanto dizer que “a pessoa pode ser gay, mas não precisa jogar isso na cara da sociedade”. Apenas apologia da hipocrisia. Jogar limpo é sempre melhor - ou deveria ser. O mundo atual é bastante hipócrita, e o politicamente correto vai nos levando cada vez mais nesta direção, de jogar tudo para baixo do tapete. De modo geral, temos muita dificuldade em aceitar discursos coerentes - e digo isso em relação a todos, não apenas aos gays. A "coerenciofobia" impera em nosso cotidiano, e quando nos deparamos com pessoas que fazem o que falam, corremos a implorar por nossa dose necessária de hipocrisia para voltar a por os pés no chão. Um belo exemplo de incoerência: quando, no ano passado, um juiz brasileiro, motivado por sua crença religiosa, deixou de cumprir a lei e se recusou a realizar uniões entre pessoas do mesmo sexo, todo mundo se revoltou e criticou - com toda razão! Semana passada li esta notícia dos EUA sobre uma juíza lésbica que se recusa a realizar casamentos entre heterossexuais até que o casamento gay seja aprovado no Texas. Todo mundo vibrou e achou o máximo - menos maridão e eu. Por mais nobre que sua atitude pareça, é exatamente a mesma de um juiz evangélico que se recusa a casar dois homossexuais unicamente com base em suas convicções pessoais. Coerência é achar que um juiz deve seguir o que a lei diz, e não o que ele gostaria de que ela dissesse.
Outro exemplo: vejo muita gente dizendo que "gay vota em gay" e se posicionando contra o crescimento da bancada evangélica no congresso. Acho que a bancada evangélica tem o direito legítimo de levar suas pautas adiante, e elas devem ser analisadas como as dos gays ou de qualquer outro grupo social. Se não forem inconstitucionais e servirem a todos os brasileiros, ótimo. Só não vale legislar em causa própria (como aliás, os políticos gays fazem...). Se os evangélicos elegem seus representantes é porque estão mais organizados para isso, mérito deles - proporcionalmente, creio que o número de homossexuais no Brasil não seja tão inferior ao de evangélicos e não existe qualquer impedimento legal para uma “bancada gay”. Se as pautas devem ser aceitas ou não, isso é outra história. Só não cabe censura prévia a nenhuma das partes. Se a gente acha que "gay vota em gay" (eu particularmente não acho, mas aceito a tese pro post não ficar maior), por isonomia, evangélico pode votar em evangélico.
Para acabar de vez com esta “briga”, evangélicos e gays deviam ouvir o grande Dr House: “o que você pensa sobre mim não vai mudar quem eu sou. Mas pode mudar meu conceito sobre você.” A gente sabe onde a intolerância vai parar. No Irã, ser gay ou ser cristão são crimes equivalentes, ambos puníveis com morte por enforcamento:
Não é viável tentar combater preconceito com mais preconceito ainda. Diversidade não é querer que todos concordem com um único discurso, mas sim aceitar o fato de que diferentes discursos possam conviver no mesmo mundo. Há coerência no caos.
Uma coisa é certa: mulher adora gay! Só que algumas exageram um tanto na dose a querem outro tipo de coisa... Qual pobre gay não sofreu tentativas de assédio feminino? Quem não ouviu o tradicional “que desperdício”? (se não ouviu, sinto informá-lo de que você é feio). Desperdício? Quer dizer que só os dejetos do gênero masculino deveriam ser gays? Os gays já sofrem tanto coisa ruim na vida, e ainda por cima vão ficar com a parte ruim da divisão social? Nada disso!
Isso sempre aconteceu (e acontece) comigo, e, pelo que o maridão me conta, também se passou (e passa) com ele. Eu não tenho a amiga do gay de cabeceira, daquelas que saem junto pra passear, que ouvem seus dilemas (e da qual você é obrigado a ouvir os seus), mas tive minhas colegas de escola. Era tiro e queda: você as ouvia num dia e no outro elas estavam apaixonadas. Na adolescência eu tive de criar inúmeras técnicas para fugir das garotas, chegava ao ponto de assumir que era gay, mas não adiantava, parecia até que piorava: há mulheres que têm fetiche por homens gays! Isso sem contar as inúmeras vezes em que minhas irmãs tentavam me empurrar suas amigas...
Modéstia zero, somos uma dupla bem pegável, tanto no "mercado" gay quanto no heterossexual: eu, branquinho, loiro, olhos claros; ele, morenão com um belíssimo par de pernas e um sorriso que desmonta qualquer um(a). Some a estes atributos a nossa simpatia rara e um magnetismo natural (eu avisei que era modéstia zero).
Quer deixar uma mulher "P" da vida? Faça o seguinte, quando você estiver passando pela rua e vir uma turminha de garotas: é mais do que esperado que você mexa com elas, diga um “gostosa” ou pelo menos as coma com os olhos. Simplesmente passe batido, e se quiser provocar, até olhe para o outro lado. Se as mulheres fossem providas de raios fulminantes emitidos pelos olhos, eu já seria um homem morto...
Dia desses, lá ia eu, belo e sebastian, pela rua, vestindo calça preta, meu habitual coturno, camiseta branca colada, óculos escuros, cabelo num moicano moderninho. Eu não me pegava, pois não faço meu tipo, mas tem quem pegue... e, modéstia novamente à parte, a pegada é muito boa...
Mas, voltando ao assunto. Lá ia eu, passando em frente a uma escola, bem na hora da saída. Vocês já podem imaginar a cena: um bando de adolescentes (existe algo mais odioso do que adolescentes? Tirando o Lula, é claro.) em rodinhas, falando aos gritos (por que raios eles nunca sabem falar em um tom humano? É claro, partindo do pressuposto de que adolescente é humano.). Eu vou passando, totalmente na minha, ouvindo música no meu I-Pobre, quando vejo pelo canto dos óculos que uma rodinha de meninas, na frente, estava apontando (supostamente discretamente, mas naquele estilo adolescente: uma aponta, todas olham, então a que apontou reclama da indiscrição das outras) para mim. Quando eu ia passando por elas, uma empurrou a amiga na minha direção, para que ela “sem querer” esbarrasse em mim. Só que elas não contavam com minha astúcia: eu simplesmente parei pouco antes e peguei o celular no bolso, como se ele estivesse tocando. O resultado? A garota se desequilibrou e foi direto ao chão. E eu, como se nem tivesse percebido, recoloquei o celular no bolso e segui em frente, como se nada tivesse acontecido...
E vocês, sofrem com o assédio feminino? Como se "livram" da situação? Deixem seu depoimento dramático aqui.
Ps. Garotas que leem o blog, a gente adora vocês, voltem sempre - mas sexualmente, a gente prefere homem.
Ps2. Bom final de semana - e divirtam-se sem moderação!
Como dizem que o ano só começa depois do carnaval, nada melhor do que começar este post com um “Feliz Ano Novo”! Espero que o carnaval de vocês tenha sido ótimo, pois agora é hora de pegar no batente...
Mas antes de voltar aos temas polêmicos que a gente aqui do blog tanto adora (ultimamente estamos bonzinhos demais...), vamos falar um pouco mais sobre cinema. É que, como você está careca (not) de saber, no próximo domingão teremos a Cerimônia do Oscar.
Duas coisas são certas: todo ano há atrizes mal vestidas e um filme com a temática homossexual (não sei se por mérito, para fazer uma média, ou só por coincidência mesmo). Não tenho o menor interesse na roupa da mulherada e estou @gandoe andando pra cerimônia, faz séculos que não vejo - mas como o lado gay da força estará representado por lá, a gente não poderia deixar o assunto passar batido.
O filme gay deste ano é o “Toda Forma de Amor” (péssimo título nacional para o “Beginners” original) e está concorrendo na categoria Melhor Ator Coadjuvante , com o veterano Christopher Plummer - coincidentemente, o papel de gay do filme. No Globo de Ouro deste ano, o ator saiu como vencedor na mesma categoria (que a gente sabe que é uma farsa, já que o prêmio vai sempre pro melhor personagem, e não exatamente para a atuação...).
Mas do que fala o filme em si? Ele conta a história de Oliver (Ewan McGregor, pra variar, muito bem em cena) , um cara que ganha a vida criando capas de CDs - e de como sua vida envolta em uma rotina é abalada por dois acontecimentos: a saída do armário de seu pai, aos 75 anos, após a morte da esposa, e o encontro/relacionamento com a atriz Anna (interpretada por Mélanie Laurent, que para mim é a melhor em cena). Estas duas pessoas trazem uma perspectiva de vida totalmente nova para Oliver. Seu pai não apenas decide sair do armário, ele decide viver plenamente como gay seus últimos anos de vida: vira militante, arruma um namorado mais jovem, cai na balada, mesmo diante de um diagnóstico de câncer terminal. Anna faz Oliver perceber que, ao contrário do pai, ele desistira precocemente da vida.
O ótimo roteiro mostra a vida de Oliver por meio de idas e vindas no tempo: a infância ao lado da mãe, o pai ausente, as noites no hospital. Aliás, foi difícil ver algumas das cenas sem me lembrar do meu relacionamento com meu pai: também fomos meio distantes, mas nos reaproximamos em seus últimos anos de vida. E assim como o pai de Oliver, o meu me dava um baile no quesito jovialidade. As cenas em que o filho estava no quarto do hospital com o pai, ou quando o velho usava o tubo de oxigênio em casa me derrubaram, devo admitir, pois foram reproduções fiéis do que eu passei com meu pai – a única diferença, no meu caso, era que o gay era eu.
O filme tem um ritmo beeeeem lento, não tem grandes reviravoltas no roteiro, mas não é chato – eu vi de madrugada, deitado na cama, e não caí no sono. Ele tem um jeitão “alternativo” de ser - às vezes parece um clipe gigante do Belle & Sebastian - mas não é pedante como 99,99% dos filmes que carregam o rótulo. Os diálogos são bons (há alguns exageros cabeçóides em algumas cenas, mas nada que comprometa).
A questão da homossexualidade do pai é trabalhada de forma bem elegante (em alguns momento é até didática), e se sua avó não se chocar com um velhinho beijando outro homem na boca, dá até pra assistir com ela.
Ewan McGregor já fez um filme com tema parecido (só que infinitamente melhor), chamado “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, mas “Toda Forma de Amor” cumpre bem aquilo a que se propõe: tem cenas muito tristes, outras que fazem rir - e não carrega nas cores nem para o drama, nem para a comédia (e ainda tem essa fofura de cachorro aí do lado).
Como o Oscar só acontece na noite de domingo, ainda dá tempo de correr lá no Intercine Gay do Lobinho, baixar e tirar suas próprias conclusões.
Vai literalmente pular o carnaval e ficar em casa? Que tal um filme para se distrair e esquecer a batucada lá fora e a overdose de bundas na TV? Aqui vai uma sugestão: Latter Days, de 2003. Dirigido e roteirizado por C. Jay Cox, o longa é um dos filmes preferidos do público gay, presente em todas as eleições de "melhores filmes LGBTuvxz" já feitas - embora, só pra variar, a gente não tenha achado que ele seja assim uma Brastemp.
O filme quase não chegou a ser lançado nos cinemas americanos, devido ao tema mais polêmico do que mamilos que ele aborda, envolvendo o conflito entre religião e homossexualidade. Mas acredito que isso acabou servindo mais para propaganda do que para censura e tornou o filme mais famoso ainda.
No longa, Christian (Wes Ramsey) - o esteriótipo do gay americano, com aqueles indefectíveis shortinhos jeans curtíssimos, bandeira do arco-íris na porta de casa etc, etc, etc - leva uma vida superficial, trabalha num restaurante e coleciona inúmeros casos amorosos.
Tudo, obviamente, muda com a chegada de novos vizinhos. O problema é que são 4 jovens mórmons. Os colegas de trabalho de Christian fazem uma aposta, para ver até onde iria seu poder de sedução, e ele se vê tendo de conseguir um dos mórmons como troféu. É claro, um dos rapazes (Aaron Davis , interpretado por Steve Sandvoss ) é gay enrustido e parece ser o alvo ideal para Christian.
Por aí você já sabe o que esperar do filme, que segue sem grandes surpresas. Particularmente, achei o filme simpático, mas o drama não me comoveu, e olha que eu estava num dia de chorar até com comercial de margarina. Meu “companheiro de sessão” gostou mais do que eu, mas também não o considera exatamente uma obra-prima.
É um filme gay para gays - isso poderia ser um elemento de mérito, mas acaba sendo seu principal problema. Latter Days pretende ser um filme de combate ao preconceito, mas prega para convertidos. No filme tudo é gay, até a samambaia de plástico, os personagens que vivem a homossexualidade no primeiro plano da sua vida, tudo gira em torno dela, até os coadjuvantes são gays. Talvez seja este o ponto no qual o filme se perde um pouco, pois sua mensagem não atinge o público que ele pretende “doutrinar”.
Lá no Intercine Gay você pode baixar, é claro. O link está aqui. Para que quiser saber sobre outros filmes, aqui há uma lista com os nossos longas LGBTuvxz preferidos.
Ps. Qualquer casal gay sabe que é difícil manter a concentração no filme quando você está ali com seu parceiro deitado do lado oposto da cama, então minha crítica ao filme pode estar prejudicada pelas inúmeras pausas e momentos em que a última coisa que fazíamos era olhar para a TV...
Ps2: bom final de semana, e - no carnaval ou em casa - divirta-se sem moderação!
Era sexta-feira, alguns anos atrás, feriado prolongado, e lá estávamos nós dois terminando a noite no Habeas Copus (um barzinho da Vieira). Enquanto tomávamos a segunda ou terceira cerveja, olho para a entrada do bar e vejo surgir uma drag queen, toda montada, com uma espécie de ajudante carregando uma caixa de som. Sensação de medo me dominou. Imaginei na hora que algo muito próximo dos meus maiores pesadelos iria ocorrer por ali, ficar sentado enquanto uma drag dublaria algumas músicas de gosto discutível...
A drag liga o som, pede licença ao público, apresenta a si mesma e sua banda (um ipod genérico). Seu nome é Renata Peron, e segundo a mesma, os donos do bar permitiram que ela se apresentasse por meia hora. Novamente sou tomado pelo medo...Só que, para meu espanto-mor, mal abre a boca, o que ouço surgir é uma voz simplesmente ótima, hiper-afinada! Poucas cantoras na nossa combalida MPB cantam ao vivo com tanta segurança, jogo de cintura, afinação e capacidade de entreter. Uma legítima show woman! Morri!
Em poucos segundos ganhou a atenção de todos, até mesmo daqueles que, como eu, olhavam desconfiados para a figura. E que figura! Realmente uma artista, sabia envolver o publico, cantava e encantava com muito bom humor. Há pessoas que nascem para os holofotes, e Renata Peron é uma destas. Nasceu pra ser diva... É impossível ver seu show e não dizer que seu lugar é diante de uma platéia, ao som de aplausos.O repertório da apresentação era formado por música brasileira, variado, de Ivete Sangalo a Alcione, de clássicos do samba até canções próprias. Mesmo músicas das quais eu não gosto conseguiram prender minha atenção, e tudo se deve exclusivamente ao carisma da artista.
Depois descobrimos que ela era bem conhecida no universo gay, que apresentara um programa de TV, fez teatro etc. Gente de primeira, presença constante nos eventos da diversidade de São Paulo. Naquela noite ela ainda nos contou que há uns dois anos foi atacada por skinheads ali mesmo no centro de SP e por conta do incidente chegara a perder um rim - mas tudo sem sensacionalismo e com muita classe.
Ali na minha mesa, tomando minha cerveja, engoli meus próprios preconceitos e me curvei diante de seu talento. E eu, que comecei a noite desconfiado, terminei indo pessoalmente parabenizá-la pela apresentação e ainda comprei o seu CD...Maridão virou fã "Número 1" naquela mesma noite.
Depois disso já vimos diversas apresentações de nossa querida Renata, e sempre divulgamos seu trabalho por aqui. Neste sábado ela comemorará seu aniversário em grande estilo, no Primeiro Carnagay de São Paulo. Se você ainda não tem programa para seu sabadão de carnaval, fica a dica! Maiores informações, clique no flyer ao lado para ampliar.
Domingão foi dia de Banda do Fuxico, e como prometido, aqui vai nosso relato do que vimos por lá. Como dissemos anteriormente, não tivemos acesso aos bastidores, à produção do evento ou ao palco, mas isso não seria motivo para barrar esta dupla dinâmica. Fizemos nossos próprios crachás de imprensa e lá fomos nós, máquina fotográfica, filmadora, blocos de anotações e tudo mais, para fazer nosso trabalho.
Chegamos ao Arouche por volta das 13h, no palco o DJ já animava o público, que àquela altura ainda era bem pequeno, mas dançava como se tivesse emendado a noite. Como estávamos com fome, fomos procurar a tradicional feirinha de comes e bebes que faz parte do evento. Não encontramos. Este ano ela não aconteceu, e isso foi o maior problema que vimos: não havia venda de bebidas alcoólicas, nem refrigerantes, nem água – nem comida. Fomos almoçar e abastecer o tanque em outro local e voltamos mais tarde.
Este ano a chuva demorou um pouco mais para cair, mas São Pedro deu as caras. Não foi o dilúvio do ano passado, mas deu para destruir a chapinha de muita trava. Mesmo assim, não houve grandes atrasos e a programação fluiu mais do que na edição anterior.
A tarde começou com o tradicional concurso de cachorrinhos. O vencedor foi o Zeus, que você vê na foto ao lado com sua fofíssima dona, a Isabela! Em seguida foi a vez de outro DJ assumir o palco, neste ano, bem mais caprichado, com um telão de led projetando imagens e jogos de luzes. E o DJ soube aproveitar o clima de carnaval, com um set mais calcado na música brasileira. O público reagiu dançando e cantando. Infelizmente não dá pra dizer que todos os DJs tiveram o mesmo feeling, pois colocar house sem vocal ali deu uma esfriada legal na turma que dançava, apesar da chuva.
Um dos pontos altos da festa é, sem dúvida alguma, o concurso de bate cabelo. As apresentadoras poderiam ter explorado mais os candidatos, com certeza renderiam ótimos momentos de humor, pois é um pessoal pra lá de desencanado que leva a disputa na brincadeira. O concurso ficou tão legal que a gente fez questão de colocar o vídeo na íntegra! Veja aqui. [spoiler] Parabéns ao Peterson, o grande vencedor (posando para o maridão na foto ao lado)! No ano passado ele quase levou, mas 2012 só deu ele![spoiler]
Depois disso outro DJ foi tocar e nós aproveitamos para ir ao banheiro. Havia poucos banheiros químicos lá no Arouche, então tivemos de encarar a fila. E depois fomos procurar algum supermercado aberto para abastecermos nosso "tanque". Quando voltamos a Silvetty Montilla já assumira o comando da festa e o público respondia. Isso até o pessoal que estava lá na área VIP abrir os guarda-chuvas e impedir totalmente a visão de quem estava na platéia. O público começou a vaiar e a Silvetty teve de pedir várias vezes para o pessoal fechar o guarda-chuva... Os mais educados atendiam, mas às vezes eles representavam a minoria, para desespero do pessoal que queria ver os artistas. Maridão e eu estávamos num local que permitia a visão, por isso vocês têm os vídeos e fotos da matéria.
A chuva voltou a cair, desta vez mais forte, e no palco se seguiu a premiação dos destaques e a coroação dos membros da corte da Banda. Muita simpatia (tirando uma que subiu ao palco de cara fechada, maridão não se conteve e gritou para a pessoa pelo menos dar um sorriso ao menos...deve dar pra ouvir seu grito no vídeo...)
Destaque para a performance da cantora Alex Marie. Vozeirão, presença de palco, resultado: saiu do palco com o público pedindo mais! Um cantor também se apresentou por lá, infelizmente não deu pra eu anotar o nome, mas no vídeo vocês podem ver a um trecho da apresentação dele, um tanto prejudicada por problemas técnicos com o som. Mas acho que o maridão nem prestou atenção no som, pois olha a foto que ele tirou no momento (e levou uma porrada na boca na mesma hora, diga-se).
No mundo artístico e no meio gay há pessoas que - infelizmente - são insuportavelmente arrogantes, mas há tantas outras que são um primor de simpatia, caso do Dicésar e do Leão Lobo. Ambos tratam todas as pessoas da mesma forma, dão atenção a todo mundo e não fazem o menor carão! Mas nosso destaque do dia vai para a Mulher Feijoada! Maridão e eu a avistamos lá longe, nós do lado de fora e ela dentro da área VIP. Maridão pediu para tirar uma foto dela, esperávamos que ela posasse lá mesmo, mas ela saiu na chuva e foi até onde estávamos! E, quando falamos que éramos do blog DPNN ela ainda gravou uma mensagem para nossos leitores, está no começo do vídeo lá de baixo. Humildade e carisma vêm de berço!
Quando ela subiu ao palco, levantou o público como mais ninguém durante a tarde. Muita gente ouve funk carioca e desce até o chão, mas gosta de arrotar cool jazz, indie rock ou house phynno. Ali o pessoal deixou o carão de lado e se acabou cantando e dançando, como vocês podem ver no vídeo aqui (a falta de foco em alguns momentos e porque esta dupla também caiu no pancadão).
Quando começou a escurecer o trio saiu pelas ruas. Maridão e eu logo comentamos que o trio estava muito alto, e bem cheio. Acompanhamos por um pedaço da trajetória, só neste trecho foram várias as paradas por conta dos fios elétricos. Um pessoal em cima do trio não ouvia as advertências da cantora para que todos se abaixassem, chegamos a ver uma pessoa quase encostar um guarda chuva nos fios elétricos! O trio seguiu em frente e, apenas quando chegamos em casa, ficamos sabendo que ocorreu um acidente exatamente neste sentido: o trio bateu na fiação elétrica e algumas pessoas acabaram sofrendo choque elétrico. Pelo que apurei, o trio teve de ser interrompido em definitivo, mas felizmente ninguém se feriu com gravidade. Não tenho maiores informações a respeito, procuramos informações na imprensa, mas não encontramos nem uma nota sobre o evento ou o acidente, então, se você estava lá, deixe seu testemunho aqui nos comentários.
Assista a um panorama da Banda do Fuxico 2012 nos vídeos que editamos abaixo. Eu fiz a versão em HDTV mas ficou muito pesada e o Youtube não aceitou, então diminui a definição. A qualidade da imagem não está como deveria, mas é o que tem pra hoje:
Raio X da Banda do Fuxico 2012
Público: não sei ao certo, mas eu chutaria umas 5 mil pessoas no horário de pico.
Destaque positivo: diversidade de atrações e estilos, evento bem tranqüilo, sem brigas ou ocorrências, boa presença da polícia, sem grandes atrasos. Na trave: a ideia do abadá é boa pelo colorido, mas a corda separando o público vai contra o espírito livre do bloco de rua. O pessoal homenageado deveria variar um pouco, sendo sempre os mesmos fica parecendo uma panelinha e tem bastante gente no nosso meio que merece a homenagem.
Destaque negativo: lei seca e regime forçados pela falta de pontos de venda de bebidas e comida, muitos problemas com o som, escassez de banheiros químicos - e os VIPs sem noção impedindo a visão do palco com seus guarda-chuvas.
Roubaram a cena: Mulher Feijoada, o público que encarou a chuva sem perder o pique, sambistas pra lá de sorridentes;
Deu fuxico: trio literalmente elétrico.
Voltamos pra casa totalmente encharcados, mas valeu a pena ter ido a mais uma Banda do Fuxico. Ficamos na torcida para que os incidentes não se repitam na edição de 2013 – se o mundo não acabar, estaremos lá, é claro!
No nosso perfil do Facebook vocês encontram mais fotos!
Ps. maridão falou que, se chovesse este ano, deixaria de ser gay... a julgar pelo dia seguinte, acho que ele não vai cumprir seu juramento... .