Glauco Mattoso: Fala, Que Eu Te Chuto!

Nascido Pedro Silva, adotou o pseudônimo “Glauco Mattoso” após ser diagnosticado com um glaucoma que lhe tirou a visão. Humor negro e ausência de auto-piedade são qualidades que poucos possuem. Glauco é um dos maiores nomes da poesia marginal brasileira e um dos grandes personagens do underground paulistano. Figura muito simpática, o conheci na época em que eu escrevia para uns fanzines alternativos de SP. Não sabe quem é? Nunca é tarde para conhecer.Seus poemas são, na maioria, sonetos que vão do sublime ao escatológico num mesmo verso. Amigo e parceiro de ícones como Cláudia Wonder (aparece no documentário Meu Amigo Cláudia - imperdível), fetichista assumido (pés), foi um dos criadores do Grupo SOMOS, pioneiro na militância gay em nossas terras tupiniquins.
Pincei alguns trechos de entrevistas com ele para dar uma ideia do seu pensamento "peculiar":
Cegueira: "Quando, após a última cirurgia (1995), saí do hospital já sem enxergar nada, foi como se a vida estivesse acabada. Nem segurar um garfo eu conseguia. Tudo me caía das mãos, em tudo eu tropeçava. Achei que nunca mais iria comer sem que alguém me desse na boca. Mas aos poucos fui me habituando e hoje faço tudo com calma, apalpando em volta até me certificar que tipo de objeto está na minha frente".
Gay: "Na verdade, não sou um homossexual. Os dois maiores mitos do homossexualismo, quais são? O sexo anal e o culto priápico levado ao exagero — o culto do pau grande. Não sou adepto de nenhuma dessas duas coisas. Não gosto do sexo anal. Inclusive talvez tenha sido isso que tenha me salvado da aids. Com ou sem campanha de prevenção eu não pegaria aids justamente porque não me exponho a esse tipo de coisa. Ironicamente, acabei me salvando da vala pública..."
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Homocultura: "Do ponto de vista da sexualidade posso dizer que não me sinto nem um pouco à vontade com essa noção geral que fazem sobre a homossexualidade. Não me identifico nem um pouco com a cultura gay. Para se afirmar socialmente o homossexual foi, na verdade, ampliando o gueto em que estava. Com isso foi adotando como universo cultural toda uma série de valores que, para mim, são extremamente antipáticos. A música que os gays ouvem, por exemplo, é absolutamente descartável, um verdadeiro lixo. Não estou sendo elitista, veja bem. Não estou contrapondo a dance music à música erudita, nada disso. Sou um roqueiro de medula, um roqueiro que gosta de punk, de música podrona, bem primária, barulhenta. Não aceito de forma nenhuma aquelas coisas do universo gay: telenovela... Gosto de futebol. Sou um cara muito machista. Não me sinto à vontade com esses valores gays".
Homocultura: "Do ponto de vista da sexualidade posso dizer que não me sinto nem um pouco à vontade com essa noção geral que fazem sobre a homossexualidade. Não me identifico nem um pouco com a cultura gay. Para se afirmar socialmente o homossexual foi, na verdade, ampliando o gueto em que estava. Com isso foi adotando como universo cultural toda uma série de valores que, para mim, são extremamente antipáticos. A música que os gays ouvem, por exemplo, é absolutamente descartável, um verdadeiro lixo. Não estou sendo elitista, veja bem. Não estou contrapondo a dance music à música erudita, nada disso. Sou um roqueiro de medula, um roqueiro que gosta de punk, de música podrona, bem primária, barulhenta. Não aceito de forma nenhuma aquelas coisas do universo gay: telenovela... Gosto de futebol. Sou um cara muito machista. Não me sinto à vontade com esses valores gays".
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Militância: "Fiz parte de todo um movimento cultural de minorias que aconteceu justamente no final do período militar. Fundamos o (jornal) LAMPIÃO, o grupo Somos. Então, lógico, eu me solidarizo, tenho cumplicidade nisso".
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Soneto: "Depois que perdi a visão, só posso compor de memória. E o soneto facilita a memorização porque tem regras rigorosas de metro e rima. Além disso, o soneto é uma forma já consagrada como insuperável na tradição poética."
Militância: "Fiz parte de todo um movimento cultural de minorias que aconteceu justamente no final do período militar. Fundamos o (jornal) LAMPIÃO, o grupo Somos. Então, lógico, eu me solidarizo, tenho cumplicidade nisso".
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Soneto: "Depois que perdi a visão, só posso compor de memória. E o soneto facilita a memorização porque tem regras rigorosas de metro e rima. Além disso, o soneto é uma forma já consagrada como insuperável na tradição poética."
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Skinhead: "Traduzi o livro "Espírito de 69 - A Bíblia do Skinhead", de George Marshall. Na verdade, o que me interessa mais na subcultura skin é a música, mas há outros motivos que me despertam o fascínio, tais como o culto da "ultraviolência" (a exemplo de "Laranja mecânica" de Burgess, filmado por Kubrick) que me evoca os abusos que sofri na infância (a cena de Alex lambendo a sola do agressor é o meu maior fetiche visual) e a supervalorização da bota como peça do vestuário, como arma e como símbolo de poder e orgulho. Mas isso não quer dizer que eu me identifique com ideologias neonazistas que se infiltraram na "tribo" skinhead, até porque no Brasil a maioria dos skins (cá chamados de "carecas") é mestiça e nada tem de "ariana" nem de racista".
Skinhead: "Traduzi o livro "Espírito de 69 - A Bíblia do Skinhead", de George Marshall. Na verdade, o que me interessa mais na subcultura skin é a música, mas há outros motivos que me despertam o fascínio, tais como o culto da "ultraviolência" (a exemplo de "Laranja mecânica" de Burgess, filmado por Kubrick) que me evoca os abusos que sofri na infância (a cena de Alex lambendo a sola do agressor é o meu maior fetiche visual) e a supervalorização da bota como peça do vestuário, como arma e como símbolo de poder e orgulho. Mas isso não quer dizer que eu me identifique com ideologias neonazistas que se infiltraram na "tribo" skinhead, até porque no Brasil a maioria dos skins (cá chamados de "carecas") é mestiça e nada tem de "ariana" nem de racista".
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Deixo vocês com uma pequena mostra da poesia do Glauco:
Deixo vocês com uma pequena mostra da poesia do Glauco:
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SONETO 139 OROERÓTICO (OU OROTEÓRICO)
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Segundo especialistas, a chupeta
depende da atitude do chupado:
se o pau recebe tudo, acomodado,
ou fode a boca feito uma boceta.
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Pratica “irrumação” o pau que meta
e foda a boca até ter esporrado;
Pratica “felação” se for mamado
e a boca executar uma punheta.
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Em ambos casos, mesma conclusão.
O esperma ejaculado na garganta
destino certo tem: deglutição.
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Segunda conclusão: de nada adianta
negar que a boca sofra humilhação,
pois, só de pensar nisso, o pau levanta.
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Para quem quiser saber mais:
Para quem quiser saber mais:
Site oficial, com biografia, entrevistas e textos: http://glaucomattoso.sites.uol.com.br/index.htm
Todos os sonetos: http://sonetodos.sites.uol.com.br/
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Bom final de semana a todos, e, para não perder o hábito, divirtam-se sem moderação!
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