Dois Perdidos na Sauna Gay

Logo quando a gente começou, maridão me disse que morria de curiosidade de ir a uma sauna gay. Eu, que pra ser um bom republicano só falta um rifle, fui logo dizendo que comigo não, violão. Se quisesse, teria de arrumar outro namorado. Passamos um bom tempo com essas discussões, eu acabei vencendo e o assunto morreu. Certa noite, estávamos tomando algumas num bar e ele me veio com a sugestão: "ouvi falar de um local ali na Av. São João que tem três ambientes, um bar no térreo, salão de jogos segundo andar e um terceiro que eu não lembro, acho que é pista. A gente podia ir lá pra você colocar no blog". Como estávamos ali perto, concordei que fôssemos.
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O tal lugar se chamava Paradise For Men Club e Show Bar. Logo na entrada, uns balões brancos decorando junto a uns bambus. Nenhum nome, nenhuma placa. Parecia uma festa proibida como a do filme “De Olhos Bem Fechados” (fica a dica). Entrei meio cabreiro. Lá dentro era um corredor meio estreito. Algumas mesas tomavam conta do espaço, que estava bem cheio. Passamos por um gogo-boy nu - momento para fechar os olhos do marido e lhe dar um beliscão -, num palco outro tirava a roupa - maridão tapa os meus olhos e me dá um murro no braço. No som, dance music, mas todos permaneciam sentados. Fomos para o segundo andar. Lá estava mais vazio. Algumas mesas de sinuca, pessoas sentadas nos cantos. Perguntei sobre o terceiro andar e o maridão informou que estava fechado. Descemos de volta ao bar, para beber algo.
O tal lugar se chamava Paradise For Men Club e Show Bar. Logo na entrada, uns balões brancos decorando junto a uns bambus. Nenhum nome, nenhuma placa. Parecia uma festa proibida como a do filme “De Olhos Bem Fechados” (fica a dica). Entrei meio cabreiro. Lá dentro era um corredor meio estreito. Algumas mesas tomavam conta do espaço, que estava bem cheio. Passamos por um gogo-boy nu - momento para fechar os olhos do marido e lhe dar um beliscão -, num palco outro tirava a roupa - maridão tapa os meus olhos e me dá um murro no braço. No som, dance music, mas todos permaneciam sentados. Fomos para o segundo andar. Lá estava mais vazio. Algumas mesas de sinuca, pessoas sentadas nos cantos. Perguntei sobre o terceiro andar e o maridão informou que estava fechado. Descemos de volta ao bar, para beber algo.
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Maridão estava meio deslocado, era visível. O público ali no ambiente lembrava os primeiros filmes do Almodóvar: um pessoal mais velho, na casa dos 60, uma molecada na casa dos 20 e poucos, muitos travestis, algumas drags. Maridão continuava deslocado. Todo mundo olhava na nossa cara. Não só na nossa cara, diga-se. Sensação de "somos carne nova no pedaço". Abracei o maridão, sentamos no bar e pedimos uma cerveja. O barman era outra figura. Ficamos conversando sobre amenidades para distrair e quebrar o climão, e não sei como, mas a conversa foi parar em algo bizarro como "a pinta da Angélica" (tá, estávamos bêbados). Então comentei sobre uma pinta que tenho no lado esquerdo do abdome (the boy with the thorn in his side), e o maridão quis ver. Ingênuo que sou, levantei a camisa pra mostrar. Um cara que estava do nosso lado quase arrancou a pinta com os olhos, e maridão, percebendo - e marcando território - abaixou e deu um beijo na minha pinta. Na minha pinta, ok?
Maridão estava meio deslocado, era visível. O público ali no ambiente lembrava os primeiros filmes do Almodóvar: um pessoal mais velho, na casa dos 60, uma molecada na casa dos 20 e poucos, muitos travestis, algumas drags. Maridão continuava deslocado. Todo mundo olhava na nossa cara. Não só na nossa cara, diga-se. Sensação de "somos carne nova no pedaço". Abracei o maridão, sentamos no bar e pedimos uma cerveja. O barman era outra figura. Ficamos conversando sobre amenidades para distrair e quebrar o climão, e não sei como, mas a conversa foi parar em algo bizarro como "a pinta da Angélica" (tá, estávamos bêbados). Então comentei sobre uma pinta que tenho no lado esquerdo do abdome (the boy with the thorn in his side), e o maridão quis ver. Ingênuo que sou, levantei a camisa pra mostrar. Um cara que estava do nosso lado quase arrancou a pinta com os olhos, e maridão, percebendo - e marcando território - abaixou e deu um beijo na minha pinta. Na minha pinta, ok?
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Ficamos lá por pouco tempo, saímos e fomos beber em outro lugar. Na saída, maridão confessou: no terceiro andar era uma sauna, e ele não me dissera antes porque sabia que eu não iria nem querer entrar. Mas no fundo ele também viu que sauna gay não seria o harém de saradões que ele pensava... e, pelo menos na parte que conheci, também não era a orgia institucionalizada que eu pensava.
Ficamos lá por pouco tempo, saímos e fomos beber em outro lugar. Na saída, maridão confessou: no terceiro andar era uma sauna, e ele não me dissera antes porque sabia que eu não iria nem querer entrar. Mas no fundo ele também viu que sauna gay não seria o harém de saradões que ele pensava... e, pelo menos na parte que conheci, também não era a orgia institucionalizada que eu pensava.
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Sempre que passamos ali na frente nos lembramos do episódio e rimos da situação. Voltaremos lá outra noite dessas para ver se agora temos outra impressão do lugar. E, obviamente, não subiremos ao terceiro andar...
Sempre que passamos ali na frente nos lembramos do episódio e rimos da situação. Voltaremos lá outra noite dessas para ver se agora temos outra impressão do lugar. E, obviamente, não subiremos ao terceiro andar...
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Ps. Apesar de todo meu vodu, não tivemos nenhum incêndio por aqui em SP e neste exato momento maridão está lá se deliciando em meio a uma orgia de bombeiros sarados e de mangueira em mãos. Tá, minha imaginação provavelmente é melhor do que a realidade, mas se ele comentar qualquer coisa além do aceitável vocês terão um casal gay a menos neste mundo virtual... Sim, eu sou ciumento pra caralho e assumo isso sem o menor drama. Maridão não pode falar nada, ele também é ciumento, mas disfarça melhor (ou, como eu costumo dizer – e ele discorda, eu dou menos motivos...) . Eu faço questão de manter meu ciúme fora do armário... Por mim, todos teriam o direito de andar com uma metralhadora HK-21 na nécessaire para sacar toda vez que uma bicha desavisada desse em cima do seu marido. Meu lado republicano fala mais alto nestas horas...
Ps. Apesar de todo meu vodu, não tivemos nenhum incêndio por aqui em SP e neste exato momento maridão está lá se deliciando em meio a uma orgia de bombeiros sarados e de mangueira em mãos. Tá, minha imaginação provavelmente é melhor do que a realidade, mas se ele comentar qualquer coisa além do aceitável vocês terão um casal gay a menos neste mundo virtual... Sim, eu sou ciumento pra caralho e assumo isso sem o menor drama. Maridão não pode falar nada, ele também é ciumento, mas disfarça melhor (ou, como eu costumo dizer – e ele discorda, eu dou menos motivos...) . Eu faço questão de manter meu ciúme fora do armário... Por mim, todos teriam o direito de andar com uma metralhadora HK-21 na nécessaire para sacar toda vez que uma bicha desavisada desse em cima do seu marido. Meu lado republicano fala mais alto nestas horas...
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