domingo, 17 de outubro de 2010

Os Embalos de Sábado à Noite: A Camiseta Vermelha, O Vodu e A Homofobia


Sábado, dia internacional de sairmos por aí, tomar todas e mais algumas, dançar, namorar e tudo o que for possível. Como de praxe, lá estava eu, esperando maridão, arrumado, cheiroso e "preparado" para a noite... Ele chega, belo & gostoso como sempre, me olha bem e diz:
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- Aonde você pensa que vai com essa camiseta vermelha? Virou petista, agora? Depois da eleição, ok, mas nesta época você não vai sair por aí com uma camiseta vermelha...
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Eu, ingênuo como nunca, nem tinha pensado no assunto... apenas gostara da combinação "coturno preto + calça cargo escura + camiseta vermelha lisa colada ao corpitcho". Uma coisa meio “bombeiro loiro disposto a apagar seu fogo”....rs. Para o bem de todos e a felicidade geral da nação, troquei a camiseta por uma branca.... melhor evitar o mau-entendido.
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Chegando num barzinho, no final da noite, não é que havia uma grande quantidade de caras justamente usando camiseta vermelha? E depois, quando estávamos indo embora, novamente vários grupos de caras de vermelho... Será que a Stasi já saiu às ruas? (não sabe o que é Stasi? Google pra você). Maridão acredita que era algum tipo de código passado por mim via internet, mas acho que ele está superestimando o alcance da inclusão digital...
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Conversas de botequim: entre um comentário maldoso e outro sobre as pessoas do ambiente, combinações sobre a compra de ingressos pro show do Belle & Sebastian, maridão me informa que nesta semana será "obrigado" a participar de um evento no batalhão do corpo de bombeiros, aqui em SP. Sem a minha presença. Morri duas vezes: de ciúmes e de inveja. Só resta torcer para que todos os bombeiros bonitões de lá adoeçam um dia antes. Aquele curso rápido de vodu que eu encontrei na net deve funcionar. E sempre há a possibilidade de um mega-incêndio sem vítimas fatais acontecer, deslocando todos os bombeiros para longe dali. Por acidente, é claro. Por falar em vodu, encontramos um adesivo da candidata-que-eu-não-ouso-dizer-o-nome colado num bar gay. É claro que o maridão pegou. E não preciso dizer quem foi a cobaia das técnicas voduísticas recém-aprendidas...
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Indo embora para casa, no meio da madrugada, lá estávamos nós dois, caminhando de mãos dadas, atravessando a Praça da República. Perguntei a ele: "o que você acha que aconteceria se a gente estivesse andando de mãos dadas aqui durante o dia?" Ele: “além de olhares tortos, uma ou outra frase, não aconteceria nada”. Eu: “os gays vão passar a vida inteira esperando autorização, em vez de ir lá e viver sua vida e pronto”. Pois não é que bem no meio das nossas divagações pós-etílicas passa um carro e um cara grita para nós dois: VEADO, BICHA!!!!!!!! (sim, no singular) Minha reação: levantei o braço e fiz um sinal de positivo com o polegar na direção do carro. Maridão respondeu: "Sou mesmo". E disparamos a rir da cena. Depois de 30 e pouquíssimos anos, finalmente tivemos nossa estreia no mundo da “homofobia”... Choramos litros de Champagne Dom Pérignon Brut 2000.
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Ps. Entre uma cerveja e outra elaboramos nossa “Carta Escancarada aos Candidatos à Presidência”. A inspiração foi a brochante, porém esperada carta aberta divulgada ontem pela ALGBT, na qual ela se limita a pedir que os candidatos “não se esqueçam do seu passado”. Amanhã a gente divulga nossa carta aqui no blog... aguardem.

5 Comentários:

Gui disse...

Esses são os melhores posts: aqueles que são produzidos a partir de fatos completamente descompromissados!

Fico em aguardo para a carta!

Junnior disse...

Passeio de mão dadas numa praça, à noite, movidos a álcool,é tudo de bão!
Os movidos a gasolina que morram de inveja.
Buenas noches pra todos.

Wans disse...

Curiosíssimo para lê-la. E sinta-se a vontade para andar de mãos dadas com seu marido.

Há um tempo, encontrei Melo dentro do vagão do metrô Sé as 19h00. Não nos fizemos de rogados e demos um selinho.
Quando marcamos de nos encontrar na República após o trabalho, fazemos o mesmo. Somos livres, não? Fodam-se os outros!!!

Anônimo disse...

Darling 01;

Que inveja do "maridão"! Sempre quis participar de um evento num batalhão aqui perto de casa. Já até planejei. Deus salve a mangueira!
Seu marido te fez tirar a camiseta vermelha?! Eu teria te deixado todo roxo de tanto levar porrada. Só o que me falta, pegar um "vermelhinho" infiltrado! Dica para o maridão: coloque a "Internacional" no som e veja como se comporta. É infalível. A parte triste é que se for dado a essas coisas depois dos trinta; não há cura. O material está estragado para sempre. Que o bom DEUS nos livre!
Excelente semana para vocês.
P.s: Ser chamado de viado na rua, já se tornou meu lema. Continuo vivo, lindo e ambulante!

RICARDO AGUIEIRAS disse...

Só lembrando: Edson Néris foi morto nessa mesma praça, a da República, eram meia-noite e meia do dia 06 de fevereiro de 2000, por mais de vinte neonazistas, APENAS E SOMENTE por que estava de mãos dadas com seu namorado... apesar de ter sido até hoje o caso mais emblemático da representação da homofobia, a militância gay já esqueceu faz tempo...
Beijos
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br
http://dividindoatubaina.wordpress.com/

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