terça-feira, 1 de março de 2011

Dois Perdidos na Banda do Fuxico 2011

Nem a maior das tempestades é capaz de impedir pessoas felizes de expressar este estado de espírito. Quem esteve no Largo do Arouche, neste domingo, acompanhando a Banda do Fuxico, deve ter ficado com a mesma impressão. Mas já estou falando do fim da festa? Não é assim que se faz, né? Já aviso que este post será gigantesco. Aos que tiverem fôlego, vamos ao começo de tudo:
No ano passado estivemos no evento e saímos de lá com uma ótima impressão. Este ano ficamos aguardando a confirmação da data e logo que obtivemos as informações, tratamos de colocar um post a respeito. E foi graças a este post que o Eduardo Marinho, assessor de imprensa da banda do Fuxico, chegou até nosso blog e nos convidou para que fizéssemos a cobertura como um órgão de imprensa, com credenciais, acesso ao palco, aos participantes e até ao trio elétrico. Nós, que criamos o blog justamente para isso, ficamos realmente felizes pelo reconhecimento de nosso trabalho e topamos no ato. Desde já, nosso imenso agradecimento!
Domingão de sol, pegamos a moto e lá fomos nós, começar nosso trabalho. Quem nos acompanha sabe que não há situação que envolva esses dois perdidos que não tenha pelo menos um evento bizarro. E o dessa vez se deu bem no começo da tarde, quando fomos almoçar num restaurante ali no centrão. Eu ainda estava de ressaca física, moral e espiritual da noite passada, mas maridão estava faminto. E logo ele, que praticamente adestrou esse aborígene que vos escreve, não derrubou boa parte do espaguete que comia? E o pior: caiu bem em sua roupa! A camiseta cinza virou uma mancha vermelha, a calça jeans clara parecia entregar que sua menstruação chegara de surpresa, após décadas de atraso. Sorte que deu pra lavar tudo no banheiro... ele só teve de terminar o almoço completamente ensopado. Depois do almoço e do banho de macarrão, fomos ao Largo do Arouche checar os preparativos da festa. A equipe terminava de montar o palco, e tudo diante de um inimigo que se aproximava: a chuva. Chuva não, pelo aspecto das nuvens, viria uma tempestade.

Aproveitamos para circular pela área e ver as outras atividades que estavam acontecendo antes da abertura oficial. Havia um pessoal de órgãos de combate à AIDS e de apoio aos homossexuais divulgando seu trabalho. Um dos estandes era do Programa Municipal de DST/Aids, do moço aí da foto. Durante o evento, seus agentes de prevenção distribuíram 10 mil preservativos e panfletos com orientações aos foliões. Se quiser saber mais sobre o trabalho do PM DST/AIDS: www.dstaids.prefeitura.sp.br . 


Eram cerca de duas da tarde quando aquela que provavelmente seria a segunda edição do dilúvio bíblico começou. Quem é paulista está acostumado com essas chuvas torrenciais nesta época do ano, mas aquela conseguiu surpreender até nós mesmos. A maioria do público que começara a chegar correu para os bares da região, buscando abrigo e se abastecendo para encarar o resto da tarde. Nós, é claro, fizemos o mesmo.

Uma hora depois, nada de trégua. A água caía com toda a força. O céu completamente escuro, cortado por raios. Cena de filme de terror. Na hora foi nos batendo um desânimo: tanto trabalho da organização e o evento iria literalmente por água abaixo! Mas eis que das pic-ups do DJ Fábio Lima começaram a ecoar sons que rivalizavam com os trovões. Foi o suficiente para animar a galera. Quando vi a cena surreal, mostrei para o maridão: em meio ao dilúvio, uma turma foi para a região em frente ao palco e começou a dançar como se não existisse chuva alguma! Maridão não pensou duas vezes, correu para cima do palco e registrou a cena. Aquela alegria foi contagiando o pessoal, que aos poucos foi se juntando aos corajosos. Houve quem ficou só de cuecas, garotas só de shorts e sutiã, travestis batendo cabelo alucinadamente.


Era impossível ver a cena e não ficar feliz de ver que há gente que supera qualquer adversidade e sabe extrair o lado bom daquilo que a vida apresenta. E foi assim que o idealizador do bloco, o megacarismático Roberto Mafra fez a abertura oficial do evento, com os agradecimentos ao público e aos parceiros que tornaram a empreitada possível. E ainda convidou alguns dos mais animados do público para dançar em cima do palco. Neste momento, São Sebastião (o santo padroeiro da comunidade gay) deve ter feito um acordo com São Pedro, pois a chuva deu uma trégua, e finalmente o pessoal que temia perder a chapinha saiu dos bares e se juntou à turma do dilúvio. A essa altura do campeonato, o atraso no cronograma era de horas. Somado a isso, o caos no trânsito paulista fazia com que diversos artistas e convidados ficassem presos em meio a alagamentos. Mas nada disso comprometeria a festa. Durante toda esta primeira parte da Banda ficamos no meio do público, circulando e registrando as cenas em fotografias. Logo em seguida nos dirigimos para a região do palco para conseguir registros exclusivos para o DPNN. A cerimônia prosseguiu com entrega de troféus a pessoas que contribuíram para a comunidade gay e o combate ao preconceito em geral. A lista completa de homenageados você pode ver aqui

A Escola de Samba Arco Iris subiu ao palco e colocou todo mundo para sambar. A chuva, que até tentava voltar, não assustava mais ninguém. Não podemos deixar de registrar que todo o pessoal do samba é uma simpatia. Cada um irradiava mais alegria do que o outro! Uma coisa da qual sentimos falta foi a feirinha que havia nas edições anteriores. Ela foi transferida da praça para o estacionamento ao lado da Cantho, mas ficava quase escondida e com poucas barracas. Fomos lá conversar com o pessoal – a aproveitamos para tomar uma batida, é claro... ninguém é de ferro....

Voltamos à área de imprensa em tempo de ver uma das partes de que mais gostamos na Banda do Fuxico: o concurso de bate cabelo. Uma galera se inscreveu e subiu ao palco para concorrer. Eu tenho a teoria de que o headbanger metaleiro de hoje é o batedor de cabelo de amanhã. E um dos candidatos, o Peterson, parecia o retrato desta teoria: visual de metaleiro, mas batia cabelo como ninguém. Não foi à toa que chegou a ser um dos finalistas. Filmei tudo com o celular, a qualidade da imagem e do áudio é ruim, mas vale a olhada:


A campeã (merecidíssima, diga-se) foi a Felp, que vocês vêem na foto abaixo, exclusiva para o DPNN. O prêmio? Uma peruca, é claro!

A noite se aproximava e ainda havia muita coisa pela frente – era uma corrida contra o tempo para dar contas de vários shows de drag-queens, homenagens, entrega de faixas e troféus. 

Não posso deixar de citar um por aqui: Diana Pequeno (à direita da foto), figura carimbada da Vieira, que fez seu show com um pout pourri que ia de Fafá de Belém a Diana, para delírio do maridão, que cantava a plenos pulmões em frente ao palco. 


Aqui eu tenho de fazer uma confissão: tínhamos certo receio de chegar às celebridades mais conhecidas, pensamos que não fossem dar muita bola a dois carinhas de um blog, mas a recepção foi muito boa!  A gente chegava pedindo permissão para tirar fotos, e todos, sem exceção, foram extremamente simpáticos conosco: Adriana Lessa  esbanja carisma, Leão Lobo deu um show com seu pronunciamento mostrando que a luta contra o preconceito não é apenas para melhorar a vida do homossexual, mas de todos.


O Dicésar foi um caso à parte. Chegou correndo por conta do trânsito e pediu desculpas ao público por não ter tido tempo de se montar. Incrível como ele mantém a humildade. Maridão e eu fomos pedir para tirar uma foto dele para o blog e ele, mesmo visivelmente cansado, não apenas posou como ainda veio nos cumprimentar com beijos a abraços. Dizer o quê? Tem tanta gente que se acha por tão pouco!


(Dicésar, fazendo um "2" em homenagem ao Dois Perdidos na Noite)

Outro que é muito simpático é o MC Ton, que se apresentou com a divertidíssima Mulher Feijoada. Até eu que não curto funk me diverti. 

Por falar em quem se acha, vamos falar de quem é realmente poderosa: Silvetty Montilla. Quando ela subiu ao palco, o Arouche veio abaixo! Incrível a adoração que ela disperta na galera. E dá para entender: ela é o retrato do alto-astral gay. Estávamos bem em frente ao palco e era incrível sentir a energia do público com sua presença.

E foi com ela que eu protagonizei meu “momento tiete”. Durante a semana eu falara com o maridão que queria muito uma foto com ela. E ele viu que eu estava tímido (tímido, eu????????) e garantiu meu registro. Essa vocês não vão ver, eu guardo pra mim...rs...


Se eu ficasse escrevendo aqui sobre tudo o que vimos o post não acabaria mais. Foram várias apresentações de drags da noite paulista, ganhamos vários brindes e um estoque de camisinhas e gel lubrificante pro resto do ano... ou melhor, do mês

A noite já caíra quando o trio elétrico finalmente partiu, seguido pelo público. Não tenho estimativa de quantos compareceram, mas lá do palco a imagem era de uma multidão sem fim. 



A lição que fica é que não há tempestade que dê conta de apagar o fogo de quem é feliz. E poderíamos fazer uma analogia que muito nos diz respeito: se a homofobia é uma tempestade que tenta nos tirar de cena e nos esconder num abrigo seguro, a melhor resposta a dar é mostrar que ficamos mais fortes diante das adversidades e respondermos com a mais letal das armas: nossa felicidade.

(Tieta, uma das figuras mais lendárias e alegres da noite gay do Centrão)

Chegamos em casa completamente molhados, mas de alma lavada!

Quem quiser ver o álbum com mais de 100 fotos com as devidas legendas, é só clicar aqui.


Perguntas? Deixe um comentário e a gente responde.

8 Comentários:

Paulo Braccini disse...

Melhor q isto só mesmo dois disto ... 2012 espero poder estar por aí e participar ... adoro estes fuxicos ...

ps: cá entre nós: q munhequinhas lindas vcs têm ... eim??? ummmmmm

rs

Junnior disse...

Fiquei quase dois dias sem internet, mas chegay numa boa hora..
Que cobertura, em? Show!
Melhor que isso somente se os Dois aparecessem numa foto...
Nem assim?
Me diverti só de ler a postagem.

S.A.M disse...

Nossa, garanto que nenhum site fez cobertura melhor que vocês!

Pena que nao pude ir.

Beijao!

Ministério da saúde disse...

Olá blogueiro!
A melhor prevenção é a informação e usando a camisinha, todos curtem melhor a vida e sem preocupação. Homens e mulheres, de qualquer idade, orientação sexual ou classe social são vulneráveis ao vírus HIV e a outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Ajude a divulgar informações e conscientizar mais pessoas sobre as formas de contágio e prevenção de DSTs. A camisinha é segura e a maior aliada nesse combate. Ela é distribuída gratuitamente na rede pública de saúde.
Curta o carnaval. Sexo, só se for com camisinha, senão não dá! Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre!
Para mais informações: http://www.camisinhaeuvou.com.br/, http://www.aids.gov.br ou http://www.formspring.me/minsaude
Siga-nos no Twitter: http://twitter.com/minsaude
Atenciosamente,
Ministério da Saúde.

Júlio César Vanelis disse...

AHH... Que legal!!!
Muito interessante o evento, de verdade...
Nossa, impossivel imaginar chuva, aqui no rio fez um sol dos infernos... O povo que foi no Bloco da Preta teve insolação... XD
Mas enfim, acho que a chuva foi o tempero do bloco, né verdade?

Vocês fizeram uma ótima cobertura... parabéns... :D

Um abraço aos dois... Diga ao DPNN2 para tomar mais cuidado quando for comer macarrão... hahahahaha

Até o próximo

Wans disse...

Depois de banho tomado a chuva caiu e não parava. Resolvemos ficar em casa, mas ler esse post só deu pra perceber que fizemos merda.

melo disse...

ai que inveja!

deveríamos ter ido mas a chuva era tanta que desanimamos e talvez por ser coisa de carnaval que não nos atrai tanto assim. se fosse outro evento acho que teríamos enfrentado.

bela cobertura, adorei mesmo. vimos os trios passarem da janela de casa, parecia animado mesmo.

agora só no proximo evento que, se não me engano, deve ser a parada...

precisava de umas dicas sobre editoras, tem como?

roberto mafra disse...

ola com muita alegria!! gostaria de agradecer muitissimo pelo carinho e pelo apoio que nos deran na nossa 11° ediçao da banda do fuxico ,, espero contar sempre com o apoio e o carinho de todos vc,s.. beijso eternamente ,, roberto mafra

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