quinta-feira, 8 de setembro de 2011

LimonAIDS?

Ultimamente andou voltando à tona o assunto AIDS, não sei exatamente o motivo, mas tenho lido bastante coisa a respeito na Internet

Nesta semana, a roqueira (?) Rita Lee fez uma brincadeira com o assunto que gerou o maior bafafá - ao meu ver, exagerado. Em seu Twitter, ela postou a seguinte mensagem:

"Se a vida lhe der AIDS, faça uma limonAIDS"

Obviamente ela estava apenas fazendo um trocadilho com aquele ditado "se a vida lhe der limões, faça uma limonada", mas muita gente ficou "p" da vida e exigiu que ela se retratasse - coisa que, felizmente, ela não fez. Pode ter sido um trocadilho bobo, mas daí a ser criminoso já é um grande salto sem vara.

Mas a celeuma me fez pensar um pouco mais sobre o tema. A AIDS foi o maior pesadelo quando eu me descobri (ou desconfiei que fosse) gay! Muito pior do que "me assumir", mil vezes pior do que a pressão social, familiar ou qualquer coisa do tipo (até porque nunca liguei para isso, me recuso a pedir autorização alheia para ser eu mesmo) - digo sem erro, que a AIDS foi o que me fez realmente tentar ser hétero e provar da "fruta". Não namorei meninas para esconder que era gay, namorei garotas porque eu não queria pegar AIDS! (deem um desconto: eu era um moleque de 14 anos, numa época muito diferente do mundo de hoje). 

Para quem é da geração atual, isso pode parecer coisa de outro mundo, mas para a minha, que chegou à adolescência em meados dos anos 80, AIDS era doença de gay. E a gente via os gays em estado terminal, não apenas na TV, mas nas ruas do próprio bairro. E eu não queria aquilo de jeito nenhum! Parecia um castigo divino contra os gays, e, acreditem, a gente abria os jornais e aparecia a expressão "peste gay" e notícias como esta: 

Como não ter medo? Os números eram sempre alarmantes, cada vez mais gays infectados. Eu fugia dos gays como um vampiro foge da cruz! A última coisa que eu queria era me aproximar de um, ser um deles, então, nem se fala! Tenho certeza de que o mesmo se passava com outros adolescentes gays, provavelmente não era uma neurose só minha. Como isso não fez parte das minhas fantasias, até hoje não lido bem com essa história de sexo com estranhos, pegação, dark room etc - coisa bem comum para boa parte dos gays que conheço.

Hoje em dia a AIDS deixou de ser aquele bicho-papão de outrora, os remédios melhoraram a qualidade de vida dos portadores do HIV, as pessoas convivem com a AIDS como qualquer outra doença crônica. Obviamente ela continua por aí, e talvez muita gente deixe de se cuidar por não ter mais a visão aterradora que nós tivemos. 

Dia desses, em seu Facebook, nosso amigo Gui perguntou se alguém namoraria um portador do vírus HIV. Fiquei pensando no assunto, é algo bem complicado, e como estou fora do mercado, seria mera especulação da minha parte. Teoricamente os cuidados seriam os mesmos de namorar um não portador, mas será que a pessoa consegue realmente desencanar? 

Por isso, deixo a vocês a questão do Gui. Vocês namorariam um HIV positivo? E emendo uma pergunta pessoal: a AIDS teve/tem algum peso na vida de vocês? 

Ps. obrigadão pelas palavras de carinho no post anterior, são um grande incentivo para a gente seguir em frente!

14 Comentários:

Edu disse...

Bichinho namorou 2 portadores antes de mim, ficando anos com cada um deles. Até ajudou na fundação de um Grupo de Incentivo à Vida, que batalhou pelo tratamento gratuito de que hoje se vangloriam políticos e médicos-Varíola que à época eram bem "do contra". Anyway, a pergunta foi pra mim: sim, namoraria. Se a AIDS teve impacto na minha vida foi justamente pelo aprendizado que tive com o Bichinho.

DMalk disse...

Gente sou inexperiente d+ para responder isso...

Mas eu acho que no meu caso ia depender muito da pessoa, porque querendo ou não haveria um impacto, a doença iria ter uma importancia relativa em muita coisa na relação, se eu realmente gostasse muito da pessoa namoraria sim...

Para ser sincero não, como você disse a visão que temos hoje da AIDS e bem diferente de alguns anos atrás, eu nunca liguei a doença ao fato de ser gay como nessa epoca...

FOXX disse...

sim, eu namoraria.

=)

Anônimo disse...

Quando eu era criança, rolava até uma estória de que havia uma mulher infectada com o vírus da aids que ia para a porta das escolas munida de seringas contaminadas para passar para os alunos, pais de alunos etc e tal. Jamais vi o rosto dela, ela só ficou na minha cabeça e nos meus pesadelos. Sim, ela me assustava horrores. Minha mãe ajudou muito para meu medo da mulher "invisivel" crescer e este fato causou um alvoroço no meu bairro. Até noticia em telejornais saiu... porém, nunca soube se isto era verdade. Se ela existiu.. só sei que o medo era real hahahaha isto no começo dos anos 90.

Mas crescido, amadurecido... acho que sim. Namoraria. Se ele se cuidasse direitinho, claro(Digo em termos de tratamento médico), eu namoraria.

Serginho Tavares disse...

Sempre quando escuto a respeito de AIDS lembro da atriz Irene Ravache falando sobre o assunto no programa da Hebe: "Ninguém conhece a vida sexual de ninguém!" Eu devia ter um 14 anos quando vi esta declaração e ela teve um impacto importante para mim. Sempre me cuidei, e sempre procurei me informar a respeito.
Assim como você estou fora do mercado, mas se estivesse, sim eu namoraria. O fato dela ter AIDS não vai diminuir o carinho, nem o afeto que eu possa sentir pela pessoa.

Fred disse...

Pra mim não tem doença pior que o cara perder o senso de humor... hehehehe! Hugz, man!

Diego Hatake disse...

Bom, eu sou bem inexperiente em questões amorosas... mas não vejo porque não. Deve ter suas restrições, como o uso da camisinha sempre, obviamente, mas se pensar bem todo casal tem as suas, e daí? O amor supera tudo isso né? O importante é estarmos juntos da pessoa amada. =)

Muñoz. disse...

Sim, eu namoraria. Peso? Muito! Mas não era um medo louco de ficar infectado, mas uma paranóia como qualquer outra que eu tenho. Até hoje eu sou meio neurótico. Me cuido sempre, sem camisinha nem pensar mesmo! Não tenho coragem de me submeter ao risco. Conheço portadores do vírus e conversei muito com eles a respeito. São tão felizes com o qualquer outro.

Beijos

Anônimo disse...

Sou portador do vírus há 1 ano, exatos agora no final de setembro, quando descobri. Nunca mudei minha vida e minhas relações amorosas, claro mexe muito com qualquer pessoa, porque a todo momento você lembra disso, você lembra-se do amanhecer até a hora de dormir, mas com o tempo loucura diminui e você aprende a conviver, meu ex-namorado soube que eu era portador quando me pediu em namoro, ele aceitou normalmente, e sempre com devidos cuidados, afinal, geralmente quando se namora.. se abre uma brecha e acabamos esquecendo de uma das coisas mais importantes em qualquer tipo, tempo ou estágio de uma relação = PRESERVATIVO!!!, independente de quanto tempo de namoro ou enfim, sempre usem! Eu sempre usei, e em uma das únicas vezes que não usei.. contraí algo para o resto de minha vida, e não é porque hoje existe o coquetel que o HIV deve ser esquecido, o coquetel ajuda você a viver, mas muitas coisas na vida mudam.. uma das que mais sinto saudades: encher a cara com os amigos! '' a vida passa a ter limites. mas enfim o preconceito e a falta de informação a respeito são o problema, queridos se informem! beijos!

Junnior disse...

Achei a postagem da Rita Lee apropriada pra responder à sua postagem: se a vida lhe oferecer AIDS, seja de que forma for, faça um limonAIDS.
Bjaum.

Jovem Urso disse...

Caras, não sei ao certo. Essa foi uma pergunta que sempre me fiz. Talvez seja a pouca vivência que não me dá uma resposta concreta pra isso.

Daqui a uns anos me refaçam a pergunta, XD

E a história da limonAIDS... É sempre assim. "Haters" estão por todo lugar, stalkeando todos nós, :P

Abraços, o/

varzo disse...

bom, eu já namorei um cara com aids e foi uma experiência marcante. Gostava realmente dele, mas infelizmente não deu certo. Vocês deveriam perguntar como é um soro positivo namorar um cara que não é portador. A neura do casal era toda dele e isso chegou a um ponto insustentável. Para mim sempre fora normal, apenas no começo os inúmeros exames que tive que fazer pela exigência dele. Acho que estava certo, afinal, qualquer gripe ou coisas do tipo podiam minar a sua imunidade, mas hoje pensando sobre isso, não tenho certeza. Sempre quis namorar alguém portador, justamente para verificar meus limites e se não passava de um hipócrita qualquer. Mas digo que no começo o sexo foi meio complicado da minha parte, mas quando a coisa começou a andar, a chatura dele ficou insuportável e acabamos. Foi uma ótima experiência como com todos os outros namorados. Me pergunto como seria estar até hoje com ele. Mas não é diferente de uma pessoa com qualquer outro tipo de doença, como câncer ou hérnia de disco. No meu caso, o preconceito e as neuras vinham dele. Espero que tenha superado isso.

Ro Fers disse...

A internet proporciona todo tipo de informação, além de aproximar as pessoas, portanto já li depoimentos, comentário, acompanho blogs de portadores do vírus, além de ler comentários como o do "anônimo" acima, em que noto que ter o HIV hoje em dia tem menos limitações do que antigamente, "acho" que da pra ter uma vida normal.
Quando gostamos de verdade, quando o sentimento é puro e verdadeiro a gente encara a relação, independente de ter o vírus ou nao.

Alguém Por Aí disse...

Eu namoraria alguém com HIV, e certamente, acho que seria mais fácil. Me descobri soropositivo em abril desse ano, e não foi um processo fácil, embora agora eu já esteja lidando melhor com essa situação. Não vejo nada demais na frase da Rita Lee.
Mesmo antes de me contaminar já fiquei com soropositivos sabendo da condição e tomava os devidos cuidados que temos ter em qualquer relação. Parabéns pela discussão polêmica e aviso aos que namorariam que estou solteiro. rsrsrs
Um abraço!

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