segunda-feira, 15 de março de 2010

Como tudo começou...


Há uma canção de uma jovem cantora alemã, chamada Annett Louisan, cujo refrão diz algo como „Scheiße bin ich verliebt/ Habe jetzt schon viel zu viel zu verlieren ” (“que merda, estou apaixonada! Agora já tenho muita coisa a perder!”). Embora pareça uma visão negativa do momento, creio que nada poderia ser mais adequado.

No último sábado, num rompante de nostalgia regada a cerveja, estávamos nos lembrando do início do nosso relacionamento. A gente se conheceu na época da faculdade, éramos calouros em nosso primeiro semestre. O mais incrível é que ele fazia a mesma disciplina, na mesma sala, e eu nunca o havia visto até aquele dia. Era já quase final do semestre e tínhamos de apresentar um trabalho em grupo. Era a vez da nossa turma, e eu estava falando (como sou cara-de-pau, sempre sou o “escolhido” para falar em público.), quando alguém abre a boca lá no fundo da sala para contestar algo que eu dissera. Quando eu olho para a direção da voz.. lá estava, bem diante dos meus olhos, o homem dos meus sonhos: um moreno lindo, troncudo, com aquela cara de homem, mas com um jeito todo tímido e educado para falar. Eu falo isso pra ele e ele não acredita, mas sou capaz de descrever do jeito que o cabelo dele estava penteado até detalhes da roupa que ele estava usando. Depois deste dia, toda minha inteligência a serviço do crime estava dedicada a me aproximar dele. Puxei assunto na hora da saída, e o cara ainda comenta algo sobre o quanto gostava de Smiths e da Madonna. O fato de gostar de Smiths fazia dele mais do que perfeito, era quase inacreditável. O fato de gostar de Madonna aumentava as chances de que ele fosse gay.
Tempos depois ele me disse que achava que eu era um cara metido – todo mundo tem esta primeira impressão a meu respeito – e que, como gostava de coisas bizarras, jamais iria querer fazer amizade com um cara “normal” como ele. Aos poucos fomos nos aproximando, viramos colegas, mas ainda não éramos amigos – muito por conta do meu “metidismo”. Embora eu ainda ficasse louco imaginando aquele cara pra mim, ambos estávamos trancafiados no armário, então nossa amizade era mais algo mais limitado aos assuntos da faculdade.
Aos poucos fomos nos aproximando mais e mais, nossas conversas iam ficando mais pessoais, começamos a fazer brincadeiras de triplo sentido, estávamos sempre juntos, brincávamos com a história de ciúmes de casal, eu chegava na faculdade e colocava a mochila na carteira ao lado, tudo para dar um jeito de ele se sentar do meu lado. Quando algum amigo chegava antes e pedia pra se sentar, eu quase morria de ódio... Certo dia, ele estava sentado do meu lado, olhando para a lousa, quando meus olhos se dirigiram para sua “mala”... quando levanto a cabeça, o cara estava olhando para mim. Ele diz que não percebeu nada, mas pra mim era o maior flagra... Quando voltei pra casa, deitado na cama e pensando nele, me dei conta de que estava totalmente apaixonado pelo cara, e que eu estava ferrado! Por mais que eu tentasse evitar, estar ao lado dele era tão bom, que não tive escolha.
Tudo caminhava assim, até o dia em que ELE tomou a iniciativa, e contou que estava apaixonado por mim. Eu não sabia o que fazer, já imaginou o seu maior sonho se tornando realidade? Acordar um dia e descobrir que ganhou na mega-sena? É claro que eu não recusaria o grande prêmio! Até hoje sou eternamente grato a ele por ter tomado a iniciativa, dificilmente eu iria fazer algo. O engraçado é que ele diz que nosso “Scheiβe bin ich verliebt!” aconteceu na mesma época, e que ele já havia até planejado mudar de horário ou trancar a matrícula se eu fosse hétero ou não correspondesse... E diz que um dia ele estava me dando uma carona e passou um cara na rua. Ele torceu para eu olhar, seria a confirmação... diz ele que eu olhei pro cara, e isso foi decisivo para ele criar coragem.

Oito anos se passaram. Aprendemos juntos partindo do zero, no começo a inexperiência tornava tudo mais complicado, mas foi muito bom descobrirmos juntos como é maravilhoso ter alguém neste mundo que te conhece melhor do que ninguém, e que te ama justamente por aquilo que você é. Não gosto de vê-lo desanimado, como agora. Sei que ele anda numa fase conturbada, mas vamos passar por essa também.
Amadureci muito graças a ele, e se hoje sou uma pessoa muito melhor, com toda certeza é a ele que eu devo. Ele também mudou bastante, pra melhor, está mais bonito ainda (agora com aquele grisalho que tanto me agrada...). É nele que penso quando me acontece algo de ruim, é nele que penso quando acontece algo de bom. Não tenho a menor dúvida de que é a pessoa com quem quero passar o resto da minha vida.

Pois é, a gente tem muito a perder quando se apaixona, mas os ganhos são infinitamente maiores. Prefiro lembrar aquela outra canção do Renato Russo: "Quero ouvir uma canção de amor/ que fale da minha situação/ de quem deixou a segurança de seu mundo por amor!"

Ps. Pra quem ficou curioso, a música da Annett Louisan se chama "Das Liebeslied" ("A canção de amor"):

3 Comentários:

Anônimo disse...

Lindo, Lindo, LINNNNNNNNNNDDDOOOOOOOO

Wans disse...

Tô aqui pensando a mesma coisa sobre o meu relacionamento. E legal mostrarmos que nem todo gay é promíscuo e sai por aí catando todo mundo. Nós podemos sim, tem um relacionamento duradouro e sermos felizes.

Parabéns para todos nós.

bj

Anônimo disse...

Coisa mais linda que eu já li nesse blog.

Adoro homens timidos. Parabéns pelo relacionamento de vcs.

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