domingo, 26 de setembro de 2010

Sopor Aeternus... Canções de Fundo do Túmulo

Pense na coisa mais mórbida que você já viu. “O Chamado”? Não, não é o suficiente. Pense na canção mais melancólica que já ouviu. Joy Division? Nada disso! A mais soturna? The Sisters of Mercy? Parece até canção de ninar. O cantor mais andrógino? Marilyn Manson, Boy George? Testosterona pura! Todos eles são uma pálida sombra diante do grupo (?) alemão Sopor Aeternus!
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Duvida? Então veja isso...
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O grupo é um dos mais misteriosos de todos os tempos. Por anos, pouco de sabia sobre ele. Depois, veio a informação: a banda - que nunca se apresenta ao vivo - era na verdade, Anna-Varney Cantodea. O nome, feminino. o sexo da pessoa em questão, indefinido. As imagens de divulgação da banda (belíssimas, e morbidíssimas - se é que existe o termo) mostram um ser andrógino, quase uma estátua viva.
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As letras falam sobre sentir-se num corpo errado. Dizem que se trata de um hermafrodita. Em entrevistas - raras, feitas por escrito - Anna se diz pertencente a um "quinto sexo".
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Na canção "Drama der Geschlechtslosigkeit" ("Drama da assexualidade"), ela canta "Não sou homem, nem mulher/ mas algo intermediário/ não sei a que lado eu pertenço/ não sei quem eu sou.../ sou como doze almas enterradas em um pedaço de carne ambulante."
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O tema da intersexualidade é algo recorrente em suas letras, escritas em alemão, inglês, francês, latim... Em "Anima", canta os seguintes versos:
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"Nenhum espelho é capaz de ver a mulher que eu sou
Meu peito ainda é pequeno, minha voz é tão grave...
A mulher que eu sou é inapta a sentir o amor, ela não é capaz,
Queria cortar meus genitais e atirá-los aos cães...”
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Por falar em voz, Anna alterna o registro, canta tanto usando a voz feminina quanto a masculina, indo do mais grave ao mais agudo, sempre embargada, carregada de sentimentos.
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Em outra canção, a mais do que mórbida "Feralia Genitalia", Anna descreve a visão de acordar e admirar a imagem de sua genitália apodrecendo..."I awoke in a room that was entirely bath. I found my body reflected while my genitals were rotting off. "
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Mórbido? Mórbido é pouco... como o próprio nome da banda já diz (Sono Eterno, em latim), a morte é um dos temas preferidos das canções e do trabalho estético do projeto. Morte, vampirismo, Edgar Allan Poe, dor, sofrimento... tudo junto, alevado ao extremo. O nome completo da "banda" é Sopor Aeternus & The Ensemble of Shadows, pois, segundo Anna, parte de sua inspiração provém dos espíritos que a rodeiam, o tal "conjunto das sombras". Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!
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Questionada sobre uma eventual operação para mudança de sexo, ela afirmou que não faria por motivos "espirituais"...brrrrrrrrrr!
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A esta altura você deve estar pensando em chamar um exorcista, mas por trás de tanta morbidez, há beleza! A música do grupo é bem diversificada, há momentos que remetem ao barroco, outros mais atmosféricos e etéreos. Mas também há espaço para algo mais, digamos, "pop".
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Como o dia está cinzento, deixo vocês com o clipe de "In der Palästra", no qual - perdoem-me as almas que a rodeiam - Anna está parecendo um Chico César do mal...
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Call me morbid, call me pale…mas eu ADORO essa banda!

5 Comentários:

Lobo Cinzento disse...

O nome me atraiu de imediato! ahauahauahau

Mas ouvi um pouco, e achei estranho... tem muitos arranjos... bastante lento e sofriiiiiiiido...

Beijos!

Dois Perdidos disse...

Se achou estranho, então está tudo certo... não dá pra achar outra coisa de algo tão... digamos, estranho.

Mas até que esta música "In der Palästra" é mais "normalzinha", comparada com o conjunto da obra.

BSvox disse...

Ai que medo! Acho que nem vou dormir hj.

Paulo Braccini disse...

Super interessante ... gostei e muito ... vou pesquisar mais ...

Agradeço a visita e o carinho do amigo lá no blog em dia tão especial para mim e para o Wander ...

Obrigado ...

bjux

;-)

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