segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Parceiros da Noite e a Censura Gay

Faz tempo que não escrevo sobre filmes com a temática GLS, então vou aproveitar para falar de um bem polêmico, e que eu acho que combina muito com nosso momento aqui no Brasil. Já chego lá.
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O filme se chama Parceiros da Noite (Cruising, EUA, 1980) , e conta com o grande ator Al Pacino em uma de suas melhores interpretações. Ele é Steve Burns, um agente policial encarregado de executar uma missão ultra, mega, blaster secreta: se infiltrar no submundo gay barra pesada para investigar uma série de homicídios dos quais a comunidade gay local está sendo vítima. Para tanto, ele - hétero convicto - deve se passar por gay e fazer de tudo, tudo mesmo, para descobrir o assassino. A missão é tão top secret que nem sua esposa pode ficar sabendo. O filme é um mergulho no mundo gay, nos clubes de sexo, com direito a S&M, roupas de couro, fetichismo etc, etc, etc. Só que o cara pega gosto pela experiência e...

Você pode estar se perguntando: "o que este filme tem de tão polêmico? Já vi coisas mais fortes no Pica -Pau!" Aparentemente nada, mas a polêmica maior não se deve ao roteiro:
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O ano era 1980, e a militância gay começava a tomar força nos EUA. E os ativistas acharam que um filme que mostrasse um serial killer de homossexuais era uma manifestação do conservadorismo e poderia servir de incentivo à homofobia. E ao mesmo tempo tinham medo de que ficasse a imagem de que todo gay é um libertino pervertido... E qual seria a solução? Censurar a obra, é claro. Mas a gente sabe que (felizmente!) os EUA prezam pela liberdade de expressão e esse papo de censura não costuma funcionar por lá. Então a militância gay teve de apelar para outras ferramentas. A primeira foi tentar impedir a filmagem, indo ao set com espelhos (e jogando a luz do sol nas câmeras) e carros de som. A segunda foi por meio de artigos em revistas e jornais condenando o filme antes mesmo de ser lançado, pregando o boicote do público e dos produtores de Hollywood. E quando o longa finalmente saiu, os ativistas faziam plantão na frente dos cinemas com megafones e cartazes, gritando palavras de ordem e se colocando como escudo humano para impedir o acesso à sala de exibição. O escândalo e a pressão foram tamanhos, que culminaram com Al Pacino e o diretor William Friedkin sendo considerados ""personas non gratas"" na indústria de Hollywood. Os produtores se afastaram e foram necessários bons anos até a dupla se reerguer, escapar da patrulha e voltar ao posto merecido.
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Só isso já dava um filme melhor do que o que deu origem à polêmica!
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Vi este filme lá na minha adolescência, num dos “Corujões” da Rede Globo. Recentemente o revi e achei ainda melhor, mesmo com alguns problemas técnicos. Hoje em dia ele virou um desses cult movies malditos. Se você ainda não viu, Vale a pena assistir ao longa, nem que seja para conferir se a polêmica foi exagerada ou não.
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Aposto que depois de tudo isso você ficou curioso, né? Olha o trailer aqui:
Até onde eu sei, não havia sido lançado em DVD por aqui, mas almas caridosas evoluídas disponibilizaram uma versão na internet com legendas em português...
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O que isso tem a ver como nossos dias? Você pode até dizer, puxa vida, isso foi lá nos anos 80, outros tempos, eu não tinha nem nascido! Mas certos comportamentos xiitas estão aí até hoje, o gene autoritário e censor ainda é forte e atuante na militância gay brasuca. É preciso sempre estar atento, pois em nome de causas nobres, tentando fazer o bem, injustiças também são cometidas...

8 Comentários:

Junnior disse...

É um bom filme mesmo. Assisti há uns 10 anos e tenho as imagens guardadas na memória até hoje.

Edu disse...

Interessante - vou procurar pra assistir. E ao mesmo tempo que sou totalmente a favor de uma abordagem mais calma, racional, centrada para nossos "problemas", às vezes fico puto com a inércia e morosidade das coisas. Sinceramente não sei se não seria hora de uma revoluçãozinha.

Wans disse...

Esses dias estava passando não sei em qual canal e é realmente incrível como uma obra com esse tero conseguiu financiamento. Os anos eram outros e os produtores e Al Pacino foram corajosos. Curti o post. Filmaço!

Paulo Braccini disse...

Filme adorável ... Al Pacino impecável como sempre ... a polêmica tão somente fruto de um contexto de época mesmo ... quem não assistiu deve assistir ...

;-)

FOXX disse...

como historiador, vale a pena ressaltar que Cruising retrata belissimamente o momento histórico da vida gay na década de 1980.

dogmanstar disse...

o filme é ótimo e acho mesmo que os problemas que possui e até o ar sujo dele devem ter sido reflexo da dificuldade em realizá-lo.

claro que na época era um abuso, uma afronta e hoje o filme estaria no Mix Brasil e em escassas de exibição ou talvez não posto que seria chamariz para altas bilheterias e os cinemarks da vida pensariam em exibi-lo mesmo que se vissem pregar anais sendo vergdas por paus enormes...

ilusão, se fosse refilmado não passaria em muitas salas mesmo para não chocar a familia (?) brasileira.

engraçado como os gays nunca desejam ter sua imagam associado à lascivia ou promiscuidade quando são sim caraterísticas de nosso grupo ainda que não ditem o todo e sim a parte (ou seria o inverso?).

Júlio César Vanelis disse...

Legal, vou procurar dar uma conferida!!!

Até o próximo

loveandglamour disse...

Credo! Eu não assisto a globo mais sei que "Corujão" ou não sei como se chama passa na madrugada do sabado né? Quando era pequeno vi pela primeira vez e o filme q tava passando era um de terror! e eu nem suporto filme de terror! Então quando o prof de ciencias fala coruja morro de medo! #traumadavida rsrs bjos

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