segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Uma Carteira Perdida na Noite

Este post deveria se chamar : sem lenço nem documentos. Ou: porque a gente precisa de um homem de verdade pra chamar de seu. Explico: no sábado, maridão e eu saímos, como de praxe, para jantar fora, tomar algumas outras num barzinho e fazer outras coisas que dois homens com vida sexual e imaginação fazem entre quatro paredes. 

Bom, já tínhamos feito tudo isso - não exatamente nesta ordem - e estávamos dando uns amassos básicos lá no centrão antes de voltar pra casa. A noite estava quente, convidativa para o namoro sob o céu estrelado (tá, vamos tentar dar algum romantismo à cena). Em nossos cérebros, consumidos pelo álcool, os neurônios restantes tentavam nos manter fora da cadeia sob a acusação de atentado violentíssimo ao pudor. Olhei nos olhos do maridão e falei: 

- Vamos pra casa antes de começarmos a transar em praça pública....

Uns 10 passos adiante, dou por falta da minha carteira. Maridão tem a mania de tirá-la do meu bolso, de brincadeira. mas por mais que os neurônios sobreviventes estivessem bêbados, eu não me lembrava dele ter feito isso. E nem me lembrava de ter guardado a carteira em outro local. Em pânico, virei pra ele (tudo durou uma fração de segundos) e falei que tinha perdido a carteira. Olhamos para o local onde estávamos dando os amassos acima referidos, e lá estava um desses moradores-de-rua-que-catam-latinhas-que-as-bichas-bêbadas-largam-no-chão. Ele acabara de pegar algo bem onde estávamos e jogara dentro de seu saco. Quer dizer, dentro do saco onde guardava as latinhas. Falei pro maridão: "ele achou!"

Maridão então me pediu que desse uma verificada na minha mochila e na praça, enquanto isso o pegador-de-latinhas-que-pegara-minha-carteira acelerara o passo, dando no pé. Maridão, logo atrás dele. Quando confirmei que tinha perdido mesmo, vejo maridão lá longe, atrás do cara. Corri atrás. Vocês sabem que sou loiro, maridão moreno. Não há evidências científicas, mas isso faz toda a diferença em vários momentos, como nesta noite. 

Eu, na minha ingenuidade, falei pro maridão: "vamos pedir pra ele, ele pegou mesmo e jogou no seu saco" (no saco dele, quer dizer, no saco das latinhas). Maridão já tinha um plano maquiavélico e me pediu que deixasse por conta dele. Ficamos, então, seguindo o mendigo por alguns minutos. Ele parou e foi conversar com outros moradores de rua, talvez tivesse percebido que era seguido por dois viados. Mas logo foi adiante. E a gente atrás, se escondendo atrás das coisas, como nos desenhos animados. Eu torcia para encontrar um PM (sem fetiche, era desespero mesmo) para pedir ajuda. Dentro da carteira estavam meu RG, CPF, cartão de banco, de crédito, carteirinha da USP, e até o meu jogo da Megasena (e eu nem sabia se tinha virado milionário!).  Além disso, mais de 200 reais em dinheiro. Nada de policial, mas quem precisa de policial por perto quando se tem um supermaridão como o meu? 

Num dado momento o pegador-de-latinhas-que-pegara-minha-carteira-e-jogara-dentro-do-seu-saco parou e se sentou num banco. Do outro lado da rua, escondidos, vimos que ele tirava algo do seu saco. Não, não era seu pênis, era minha carteira!

Maridão me falou: "fique aqui". E atravessou a rua, em direção ao pegador-de-latinhas-que-pegara-minha-carteira-e-a-tirara-do-saco. O que se seguiu foi algo que desafia a astúcia de um ninja. Numa velocidade espantosa - para quem tinha tomado todas - maridão deu um bote e tomou a minha carteira das mãos do cara, que já estava contando o dinheiro. Maridão só disse: a carteira e minha! e, vapt!, lá estava ela em mãos do meu herói! Tive orgasmos múltiplos, cósmicos e tântricos! Por essa o coitado do morador de rua não esperava. Ele só se limitou a dizer: "eu achei, eu não roubo não", ao que maridão respondeu com um sonoro "f@#%-se!".

Alegria de pobre dura pouco, pensei comigo... o cara tinha tirado a sorte grande, e ela escapara de suas mãos em alguns minutos. Ele ficou com medo de chamarmos a polícia, veio me dizer que catava latinhas para sobreviver, que não roubava e só tinha achado a carteira. Realmente ele não me roubara, nem tinha visto que a carteira era minha. Achou jogada e pegou. Agora vem o mais bizarro de tudo: abri a carteira, a menor nota que eu tinha era uma Vanessão (fintche reais), peguei e dei para ele, usando um vocabulário ao estilo sou-maloqueiro-da-periferia: "fica de boa". 

Nem eu mesmo sei o motivo, mas eu estava tão aliviado que me parecia a coisa certa a fazer. E eu não estava em condição de pensar em nada. Maridão ainda ficou com raiva da falta de honestidade do cara, mas depois também concordou que, se fosse um morador de rua, f#@#&$ da vida, tendo da catar latinhas para sobreviver (em vez de assaltar), e achasse uma carteira jogada sem ninguém por perto teria feito o mesmo. Maridão ficou rindo, mas me disse: 

- Eu sabia que ele ia parar em algum momento para ver a carteira, se a gente perguntasse ele iria negar, então achei melhor esperar o momento certo e dar o bote. 

Eu não teria pensado nisso, confesso. Mas maridão, que salvara a noite, olhou bem para mim e disse: "para que serve ter um maridão forte como eu?" Serve para muuuuuuuita coisa, pensei, mas não é maravilhoso ter um super herói particular? É claro que maridão cobrou seu preço, mas essa parte eu não conto pra vocês... A única coisa que conto é que, assim que cheguei em casa, corri pra ligar o computador e conferir o resultado da Megasena.

Ps. não ganhei. 
.

15 Comentários:

Serginho Tavares disse...

bem, se você tivesse ganho na Megasena acho que nem escreveria este post afinal teria muito o que comemorar
e ter marido super herói é tudo hein? já posso te chamar de Lois Lane?

DPNN disse...

Serginho, digamos que estamos mais para Batman & Robin...

FOXX disse...

parabéns pelo maridão, moço.
isso é pra qm pode, não pra quem quer MESMO.

Lekiss disse...

Nossa...muito comico...minha cabeça começou a ilustrar o fato como se tivesse lendo um HQ da Marvel...muito Heróico e realista...Parabéns ao casal...

Dan disse...

ahaha. adorei!
queria ter visto isso!
:D

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

O Elian tem um MARIDÃO assim! #fato ... rs

Junnior disse...

Que suspense, aff.
No final das contas, salvaram-se todos, inclusive o 'morador-de-rua-que-cata...' que levou um Vanessão (rsrsrs).
Bjaum aos heróis.

Cesinha disse...

Mas, você ganhou na megasena... não percebeu ainda?!

Abraços

Anônimo disse...

Continuo querendo material genético!
Precisamos de homens assim em série.

bjs aos dois!

Cores da Crise de meia idade! disse...

Se disser que o maridão sabe montar a cavalo(!!!!) é o dream come true, seu cinderelo abençoado!
bjs

Fernando Munhoz disse...

Você já ganhou na mega sena meu querido! Se um dia você permitir que o maridão seja clonado, avisa AZAMIGAY tá! Beeijos!

::::FER:::: disse...

wow! que aventura! Que amor hein!! Só não entendi pq "vanessão?"

Fred disse...

Até eu melei a cueca depois desse relato... afffffffffffffffff!
E grato pela consultoria aftística... bem lembro que tu teve esse perrengue tempos atrás, nzé????? Hugzão! E cuida com essa carteira, porra!!!!!! Hahahaha!

Mimi disse...

Faleci.
Muito fofo isso!!
Acho que eu teria começado a chorar e não tinha seguido o cara. Sou medrosa. Mas adorei isso.
Acho que vou escrever uma estória! #vivedeideias
Mas achei legal você ter dado o dinheiro para o cara. Mesmo que ele não tinha sido tão honesto. Porque ele deve ter visto vocês mais para frente. Enfim.
Maridão super herói!! Lindo isso!!
Beijos!!

Gay Incomum disse...

Nossa, que aventura!
Muito bom um maridão desses do lado!!
Forte a astucioso!
Eu teria ido logo no bate-boca com o mendigo: -me devolve ou eu chamo a polícia!
Isso depois de comunicá-lo gentilmente que ele havia pegado minha carteira. rs
Preciso de um super-herói do meu lado. rs

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