sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Antes do Anoitecer: de Cuba a Dourado (BBB)



Andei meio sumido aqui no blog, mas por bons motivos: acabaram minhas férias e estou de volta ao trabalho. Mas nem só de labuta vive o homem, então é claro que não vou deixar de atualizar o blog sempre que possível. Para compensar, um texto beeeeeem longo.

Além de minha volta ao trabalho, outro assunto tomou conta da imprensa internacional nesta semana (modéstia zero é meu lema): a morte do prisioneiro político Orlando Zapata Tamayo, após 85 dias de greve de fome. Não vou aqui retomar o ocorrido, a internet está cheia de matérias a respeito. O que me interessa, aqui no Blog, é outro aspecto da questão.

Nunca consegui entender, e olha que sou razoavelmente inteligente, como é possível existir gay comunista! Esta semana estava lendo uma matéria num site escrita por um gay que se perguntava como é possível existir gay de direita. A intenção do artigo era boa, concordo com muitos pontos, mas a premissa da qual o autor parte é errada, na medida em que ele confunde militarismo com direita. Há governos militares de esquerda, assim como houve de direita. O próprio governo militar brasileiro não pode ser considerado “de direita”, pelo menos não na acepção política do termo. Mas esta discussão é longa e o espaço aqui é curto. Como pesquisador da cultura alemã, sei que o muro de Berlim já caiu faz tempo e que continuar dividindo o mundo entre direita e esquerda é algo que só se usa em lugares atrasados como a América Latina, o resto do mundo já passou desta fase. O que me deixa incomodado é ver que ser “de esquerda” é visto como normal, até confere à pessoa um ar de boa gente. Se você falar que é comunista, então, ganha pontos extras. Acho um cara usando uma camiseta do Che Guevara tão repugnante quanto um usando uma com a cara do Hitler. Não preciso de um partido ou uma orientação política para me dizer como enxergar o mundo.

Mas o que tudo isso tem a ver com o blog? Um dos meus maiores rompimentos com os grupos do movimento gay se deu justamente quando percebi que grande parte deles estava mais preocupada em militar para o PT do que para a causa gay propriamente dita. Isto foi na época da reeleição do Lula, quando alguns destes movimentos lançaram cartas de apoio ao candidato em nome da comunidade gay. Eu era (e continuo sendo) gay, e jamais votei, votaria ou votarei nele, mas a militância falava em meu nome. Depois disso,abri meus olhos e comecei a ver que as atitudes destes grupos atendiam mais e mais aos interesses do partido, que se calavam diante dos seus abusos (por exemplo: não se manifestaram quando a candidata amiga dos gays “acusou” o adversário de ser gay, com insinuações que colocavam em dúvida sua confiabilidade; se calaram novamente quando o homofóbico presidente do Irã esteve por aqui. Até hoje me pergunto por que não programaram beijaços coletivos por todos os lugares por onde ele passasse. Mas obviamente já sei a resposta).

Em Cuba, é crime ser gay, os homossexuais são perseguidos, e, não sei hoje, mas alguns anos atrás havia até um tipo de campo de concentração para os gays. No entanto, já vi várias vezes grupos gays aqui do Brasil fazendo protesto contra os EUA e a favor da ditadura cubana. Não conheço um único país comunista em que os gays não tenham sido perseguidos, mas conheço um bom número de países capitalistas em que os gays possuem os mesmos direitos de todos os outros cidadãos.

Sempre gosto de indicar um filme belíssimo chamado “Antes do Anoitecer”( Before Night Falls, 2000). Ele mostra a vida do escritor cubano Reynaldo Arenas, antes e depois da chamada “revolução”. Como ele era homossexual, vemos como era a vida gay na ilha, e como tudo passa a ser visto com a instauração da ditadura. Vemos todo o sofrimento do personagem principal, a prisão, a censura, perseguição, as tentativas de fuga. (Nada diferente do que aconteceu por aqui, com a diferença de que aqui a ditadura terminou, a lá continua e ainda é admirada por muitos que foram perseguidos por aqui). Quem interpreta o Reynaldo é Javier Bardem, no elenco ainda estão Johnny Depp e Sean Penn. A ficha completa do filme pode ser lida aqui.

Porque falei tudo isso? Porque eu acho que a militância gay se acomodou durante os anos do governo Lula, por afinidade ficou muito na espera de que algo fosse feito, sem grandes protestos ou manifestações ( a Parada Gay não vale, há muito ela é tudo, menos protesto). E o resultado destes anos de dormência está aí, jogado na nossa cara, com o povo votando em massa pela permanência do Dourado no Big Brother. Se teve algo de positivo nesta história foi isso: é preciso acordar, pois se os gays não fizerem algo, não forem mais ativos, a coisa só tende a piorar.

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