sábado, 10 de abril de 2010

Malcolm McLaren: morre o anarquista do século 20


Nesta semana o mundo perdeu o picareta mais fundamental da história da música: Malcolm McLaren. Você pode até não saber quem foi o cara, mas com certeza ele mudou, mesmo que indiretamente, sua vida.

O cara foi o grande visionário que praticamente criou o punk, se não na música, mas muito mais no comportamento e na estética. Se nos vestimos do jeito atual, grande parte se deve a ele, que elevou o feio, sujo, rasgado, o fetichismo ao status de fashion. Com o punk, vestimenta passou a ser demonstração de atitude. Se hoje em dia é normal ouvir um palavrão na TV, o primeiro a colocar um sonoro fuck na TV britânica foi ele, via Sex Pistols. Sem McLaren não haveria um estilo de som que mais me agrada, o bom e velho pós-punk inglês. Sem o New York Dolls não haveria The Smiths, sem Sex Pistols haveria Siouxsie & The Banshees, The Cure, Soft Cell, Bauhaus? Poderiam até existir, mas teriam sido a mesma coisa? O próprio movimento gay mundial é fruto da revolução punk.

Praticamente tudo o que existiu culturalmente nas últimas décadas é consequência direta da onda punk que varreu o mundo há 30 anos. Você odeia rock e só ouve dance music? Pois saiba que a cultura clubber é filha direta e legítima do punk. Bandas como Prodigy estão aí para mostrar que as fronteiras são mera questão de ponto de vista. Quer coisa mais do it yourself do que a cultura da música eletrônica? Ouçam o álbum Waltz Darling, que McLaren lançou em 1989 e vejam que o cara já estava adiante da tendência clubber dos anos 90.

Punk, hip-hop, world music, new age, eletrônica… McLaren lançou álbuns próprios ou de artistas nestes estilos, mas sempre antes de se tornarem modismos. Pouca gente tem esta capacidade de criar tendências.

O grande jornalista André Barcinski o definiu ontem na Folha de SP como “um oportunista nato e farsante genial”. Concordo plenamente. O mundo precisa de mais pessoas assim.

Uma dica: pra quem quiser saber um pouco mais sobre a revolução do punk, vejam o filmaço Sid & Nancy – O Amor Mata, disponível em muitas bancas de jornal, sem falar da internet, é claro.
God save the queers!

2 Comentários:

Lucas Moratelli disse...

O homem transforma a sociedade a cada escolha que faz. Algumas escolhas dão certo, não é?

Pena, mas todo mundo precisa morrer.
Bacana o post.

See u later.
Abraço.

RICARDO AGUIEIRAS disse...

Eu tinha profunda admiração por Malcolm McLaren. Infelizmente, com a onda forte de conservadorismo, com as religiões fundamentalistas, com o encaretamento geral das nações e o politicamente correto, com a sociedade de controle e imagética, somos fotos de nós mesmos, com o Estado controlando a sua cama e entrando no seu quarto não tem mais mais muitos artistas transgressores como ele cuja importância é ainda maior por tudo isso. riem perante apalavra "contestação"...
Bom você lembrar dele...
Ricardo Aguieiras
aguieiras2002@yahoo.com.br
http://dividindoatubaina.wordpress.com/

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