domingo, 16 de maio de 2010

Dois Perdidos na Virada Cultural


(a banda Frank Elvis & Los Sinatras)

Acordando agora após uma noitada de ressaca cultural... lá vamos nós, com nosso balanço sobre nossa participação na Virada Cultural. Aproveitamos para ver o máximo possível, mas como é difícil estar em vários lugares ao mesmo tempo, e ver todas as 1.049 atrações, adotamos uma tática: partindo da Praça Dom José Gaspar, fizemos um giro por todo o centrão, até voltarmos, já no meio da madrugada, ao nosso ponto de origem.

Da Gaspar fomos à Praça Ramos, onde projeções de imagens nos prédios (entre eles o Teatro Municipal) davam um colorido à paisagem. Pegamos o Viaduto do Chá: nele, artistas de rua faziam performances, numa cabine, as pessoas entravam e sua imagem era projetada nos prédios vizinhos. Lá embaixo, no Vale do Anhangabaú, alegorias no formato de insetos gigantes davam ao vale um ar insólito. Aranhas, formigas, lagartas. A performance era do grupo espanhol Sarruga, o que dá a tônica do evento neste ano, a grande participação de artistas vindos do exterior (como Living Colour, Abba - The Show, The Temptations - featuring Gleen Leonard, Grand Mothers - Re:Invented...):
De lá seguimos por várias ruas (passando pelas marchinhas de São Luiz do Paraitinga) até o Largo São Francisco, ou melhor até a Pista São Francisco, já que o local estava transformado numa imensa rave. Nas pic-ups, o mega DJ Grace Kelly Dum colocava todo mundo pra dançar ao som de trance, electro, minimal e derivados. Nota importante: como o Largo São Francisco é lindo à noite, ainda mais com toda aquela iluminação e as fontes de água funcionando. Só faltou iluminar a catedral da Sé para o cenário ser perfeito.

De lá rumamos para o Pátio do Colégio. Uma série de projeções, chamada “Visualfarm”, utilizando uma técnica conhecida como pintura de luz, cobria a fachada do edifício ao som de música clássica. Simplesmente lindo! O museu estava aberto ao público – pelo menos parte. Lá dentro, além de ver nossa história fora dos livros (e ainda tem gente que diz que a virada não tem nada de cultural...), músicos cantavam num palco intitulado “Palco do eu sozinho”. Quando passamos por lá, quem se apresentava era o cantor Edvaldo Santana.

Saindo de lá, circulamos por diversas ruas e nos dirigimos para a região da Luz. Passamos pela performance Les Pigmentés, do grupo francês Ilotopie. Na Estação da Luz, personagens vestidas com roupas de época davam o tom do projeto Trem das Onze, em comemoração aos 100 Anos de Adoniran Barbosa, inclusive com shows dentro dos trens:
Do lado de fora, dois palcos gigantescos: um, dedicado à música erudita, outro, à dança. Chegamos tarde ao Parque da Luz e perdemos a apresentação do espetáculo Lichtwesen. Schade! Na Cásper Líbero, dois palcos nos quais se apresentaram artistas independentes. Só passamos rapidinho quando uma banda de rock tocava.

Da Luz, fomos para a Praça Júlio Prestes. Lá, quem cantava era a Zélia Duncan. Muita, muita gente assistia ao show. Foi até difícil passar por lá! A MPB está para as lésbicas como a música eletrônica está para os gays masculinos, é claro que havia muita entendida cantando as canções da Zélia. A multidão era tanta, e a quantidade de atrações para ver era tão grande, que literalmente só passamos por lá.

Quando finalmente chegamos do outro lado, nos dirigimos para a região da República. A primeira parada foi o palco do reggae. É um dos poucos ritmos que eu não consigo gostar, mas o público presente curtiu bastante. De lá fomos para aquele que seria o mais improvável, o palco do rock das antigas. Quem se apresentava era Big Brother and the Holding Company, a banda original da Janis Joplin! E vieram com uma vocalista que era a encarnação da voz da finada roqueira. Ficamos ali por um bom tempo, fascinados pela performance do pessoal, num clima de interação total com o público. De arrepiar:
Depois de um tempo, novos giros pelas ruas, até chegarmos à Vieira. É engraçado ver a rua sem as tradicionais drags, nem parecia a mesma. Fomos à Pista Arouche, na esperança de ouvir uma rave com o melhor das casas gays de SP, mas nos decepcionamos. O set do DJ Vadão foi bem fraco, poucos dançaram. Até entendo ele ter feito algo mais “cybermano” pra agradar um público mais amplo, mas se você é escalado pra tocar naquela região, sabe que seu público alvo é o gay... senti falta de algo mais calcado no tribal house. Ou pelo menos mais coisas como esta aqui:
Com certeza teria levantado o pessoal, que se divertiu bem mais “causando” ao vento em cima daquela grade do metrô do que com a música em si. Uma destas cenas insólitas que a gente precisa ter vivido pra ver... O DJ Mauro Borges captou melhor o espírito da coisa:
Muito vinho, cerveja, uísque com energético, canudinho de vodca depois, bateu uma fome. Enquanto comíamos sanduíches e devorávamos um tempurá, ouvimos os acordes de Crazy for You, da Madonna. Era a banda cult trash Frank Elvis & Los Sinatras, mandando ver no melhor do flashback romântico de FM. Absolutamente genial! Carismáticos, sabiam interagir com a platéia. Tocaram de tudo: Toto, Chicago, Lionel Richie, Chris de Burgh, U2... e até nacionais do Roupa Nova, Kid Abelha, Lobão. Pena que perdi quando tocaram Air Supply... Depois disso ainda viria o Sidney Magal... e os shows de domingo...mas vou parar por aqui, o texto lá ficou muito longo...

Mais uma vez a Virada foi um sucesso. Há público para todos, em qualquer lugar havia uma multidão. Um evento como este é a cara de SP. Gente de todo tipo, convivendo sem problemas, se divertindo junto. Em pleno show da banda da Janis, eu e meu namorido abraçados, no meio dos roqueiros, sem o menor olhar torto. Durante o bailão dos flashbacks, a gente dançando junto, se abraçando e se beijando ao lado de casais hétero das mais variadas idades. Andamos de mãos dadas por toda parte da cidade, assim como vários outros casais. Não por provocação, algo bem natural. As coisas estão mudando. Podem ainda não ser ideais, mas estão mudando.

Fica só nossa sugestão final para a próxima edição do evento: um palco para performances de drags, quem sabe com show da Lorena Simpson e outras cantoras que fazem parte da cena cultural gay. Tenho certeza de que seria sucesso garantido!
A TV Cultura aqui de SP transmitiu boa parte do evento ao vivo, vídeos com ótima qualidade (incluindo o absurdamente fodástico ABBA The Show) podem ser vistos no site da emissora, no link: http://www.tvcultura.com.br/viradacultural/

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